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Agricultura regenerativa: caminho para mais rentabilidade e sustentabilidade no campo
Green Future Hub reúne produtores, pesquisadores e especialistas para mostrar que é possível produzir mais gastando menos, valorizando a biodiversidade e a saúde do solo
08/07/2026 10h50
Por: Redação Fonte: Verbo Press

Com margens cada vez mais apertadas, custos de insumos em alta e desafios climáticos e econômicos que não conhecem fronteiras, o agronegócio brasileiro busca alternativas que unam produtividade, redução de custos e sustentabilidade. E foi justamente esse o tema central do Segundo Seminário de Agricultura Regenerativa, realizado pelo Green Future Hub, em Lucas do Rio Verde — um evento que lotou o espaço e reuniu referências nacionais e regionais para debater o futuro da produção no Centro-Oeste.

Para Cleber Nunes, diretor-executivo do Green Future Hub, o interesse do público demonstra que o setor está pronto para transformar o jeito de produzir. “Ver a casa cheia com um público tão qualificado — produtores, empresários, pesquisadores — mostra que estamos no caminho certo. O papel do Hub é justamente trazer essas discussões, conectar conhecimento e mostrar que a agricultura regenerativa não é apenas uma tendência, mas uma solução para os desafios de hoje”, afirmou.

Segundo ele, a iniciativa faz parte de uma construção sólida, com pouco mais de dois anos de operação, mas já com resultados práticos. “Somos uma associação sem fins lucrativos, de portas abertas para todos: estudantes, empreendedores, pequenos e grandes produtores. Nosso trabalho é como o de uma formiga: devagar, mas firme, gerando impacto na economia e na qualidade de vida das pessoas”, completou, lembrando que o ecossistema prepara ainda o Green Summit, que acontece em menos de dois meses, com mais de 30 palestrantes de renome nacional.

Biodiversidade: um ativo que já existe na lavoura
Uma das palestrantes do evento Camila Souza, especialista em controle biológico, trouxe uma visão nova sobre o que já existe dentro das propriedades rurais. “Muitas vezes olhamos apenas para as pragas e esquecemos que a natureza já traz a solução: os inimigos naturais. O que chamamos de controle biológico conservativo é justamente potencializar o que já está ali, sem precisar importar soluções de fora”, explicou.

Ela lembrou que o Brasil sofre críticas por ser um dos maiores consumidores de defensivos químicos do mundo, mas que esse contexto é diferente de países de clima temperado. “Aqui temos duas safras por ano e um clima que favorece a multiplicação de pragas, mas também temos uma biodiversidade enorme. Descobrimos, por exemplo, uma mosca parasitoide que controla naturalmente o percevejo — uma das pragas que mais geram custos para o produtor — e ela existe justamente na nossa região, adaptada ao nosso clima”, contou.

Os ganhos são visíveis: “Temos registros de redução de até 60% no número de aplicações de produtos químicos, passando de 10 para apenas 4 vezes por safra. Além disso, manter a biodiversidade na lavoura abre portas para certificações, linhas de crédito com juros menores e melhor posicionamento no mercado internacional”, destacou.

Plantas de cobertura: 11 anos de resultados que provam a eficiência
Outro ponto central do debate foi apresentado por Fabio Pittelkow, diretor de pesquisa da Fundação Rio Verde, que compartilhou dados de um estudo de longo prazo — com 11 anos de acompanhamento contínuo.

“Muitos criticam nosso sistema de sucessão soja-milho ou soja-algodão, mas os números mostram que ele é sustentável e produtivo. E quando somamos o uso de plantas de cobertura, ganhamos ainda mais: o solo fica mais saudável, retém mais água e nutrientes, e a produtividade se mantém ou aumenta, mesmo em anos de estiagem”, explicou.

Para ele, a região tem um modelo próprio e que funciona. “Não adianta copiar receitas de outros lugares. Nossas pesquisas são feitas aqui, na nossa realidade, e mostram que é possível cuidar do solo e ter retorno econômico ao mesmo tempo”, reforçou.

Menos insumos, mais saúde para o sistema
Guilherme Ribeiro, presidente do Conselho Diretor do Green Future Hub, fez um paralelo simples e eficaz para explicar o conceito: “A agricultura regenerativa funciona como a medicina integrativa: o objetivo é promover a saúde do sistema antes de precisar usar remédios. Na agricultura tradicional, aplicamos defensivos ou fertilizantes como se fossem antibióticos, sem verificar se realmente é necessário. A regenerativa ensina a fortalecer o solo e a biodiversidade para que a lavoura se defenda sozinha”.

Com os custos de fertilizantes e insumos importados em alta, essa lógica faz toda a diferença. “Quanto mais saudável o solo, menos ele depende de produtos caros. Isso não é só economia, é segurança para o produtor”, completou.

A visão foi compartilhada por Tiago Cinpak, presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. “Toda inovação que ajuda a reduzir custos e aumentar a resiliência é bem-vinda. A agricultura regenerativa não é uma solução mágica, mas é uma alternativa que cabe em diferentes tamanhos de propriedade e pode ser adotada aos poucos”, afirmou.

Conhecimento certo para evitar “achismos”
O pesquisador Thiago Zucco, referência nacional no tema, encerrou o painel reforçando a importância de eventos como esse em meio a tanta informação disponível. “Hoje a internet está cheia de conteúdo, mas nem tudo é confiável. O risco é o produtor aplicar algo que deu certo em outra região, mas não funciona aqui. Nosso papel é trazer dados, trocar experiências e mostrar que cada propriedade tem sua realidade”, disse.

Para ele, o Brasil já produz de forma mais sustentável do que muitos países que impõem regras rigorosas de mercado. “Temos a faca e o queijo na mão para entregar um mundo melhor para as próximas gerações. E a agricultura regenerativa é uma das ferramentas mais poderosas para fazer isso”, concluiu.