Cidades Monitoramento
Fundação Rio Verde amplia monitoramento e orienta produtores sobre doenças que afetam espigas de milho
Levantamento realizado durante a safrinha de 2026 mostra que, além da podridão salmão da espiga, patógenos já conhecidos continuam sendo os principais responsáveis pelos danos observados na qualidade dos grãos
31/07/2026 07h32 Atualizada há 2 horas
Por: Redação Fonte: Verbo Press

Depois de chamar a atenção dos produtores rurais nesta safrinha, a ocorrência da podridão salmão da espiga, causada pelo fungo Waitea zeae, continua sendo acompanhada de perto pela Fundação Rio Verde.

Com o avanço da colheita e o aumento do número de amostras analisadas, a instituição conseguiu ampliar a compreensão sobre o cenário fitossanitário das lavouras de milho em Mato Grosso e reforça que o diagnóstico correto permanece sendo a principal ferramenta para decisões assertivas no campo.

Desde os primeiros relatos da doença, a Clínica de Plantas da Fundação Rio Verde intensificou o recebimento e a análise de materiais enviados por produtores de diversas regiões. Ao longo da safrinha de 2026, foram recebidas 244 amostras de milho, sendo 156 de espigas, permitindo um levantamento mais abrangente sobre os agentes envolvidos nos problemas observados nas lavouras.

Os resultados demonstram que, embora Waitea zeae tenha despertado preocupação por sua capacidade de provocar danos significativos onde ocorre, ele não foi o principal patógeno encontrado nas amostras avaliadas. A maior incidência foi registrada para Stenocarpella (Diplodia), detectada em 62,8% das espigas analisadas. Em seguida aparecem espécies do gênero Fusarium, presentes em 47,4% das amostras, enquanto Waitea zeae foi identificado em 18,6% dos materiais encaminhados à Fundação.

Segundo a pesquisadora da Clínica de Plantas da Fundação Rio Verde, Isabela Ulsenheimer, esse levantamento reforça que o aumento da ocorrência de grãos avariados observado nesta safra não pode ser atribuído a um único agente. "As análises mostram que diferentes fungos estão associados aos sintomas encontrados nas espigas. Os dois predominantes já são conhecidos pelos produtores e tiveram sua incidência favorecida pelas condições climáticas registradas nesta safrinha, especialmente pelas chuvas fora do padrão próximas ao período de colheita."

As amostras positivas para Waitea zeae foram identificadas em diferentes regiões produtoras de Mato Grosso, incluindo Lucas do Rio Verde, Ipiranga do Norte, Tabaporã, Alta Floresta, Nova Maringá, Nova Santa Helena, Nova Bandeirantes, Paranaíta, Campo Novo do Parecis, Tapurah e Itanhangá, além de materiais provenientes do estado de Rondônia. O resultado confirma que a ocorrência do patógeno e reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Pesquisa busca respostas para o manejo
Com a reta final da colheita, os trabalhos da Fundação Rio Verde entram agora em uma nova etapa. O foco dos pesquisadores é compreender com maior profundidade o comportamento do patógeno nas condições de cultivo de Mato Grosso e gerar informações que permitam recomendar estratégias de manejo mais eficientes para as próximas safras.

Os estudos avaliam diferentes fatores que podem influenciar a ocorrência da doença. A proposta é construir recomendações baseadas em evidências científicas, considerando que o controle das doenças de espiga depende da integração de diversas ferramentas e não de uma única medida isolada. Segundo a pesquisadora do Departamento de Fitopatologia Luana Belufi “Quando falamos em doenças de espiga, precisamos pensar em um manejo integrado. A escolha do híbrido, a janela de semeadura, as condições climáticas, o manejo nutricional, o controle de insetos que podem favorecer a entrada de patógenos e o posicionamento correto das ferramentas fitossanitárias fazem parte da estratégia”.

Outro ponto destacado pelas pesquisadoras é que Waitea zeae não representa um patógeno novo. O primeiro relato da espécie no Brasil ocorreu em 2002, no Pará. Anos depois, houve novo registro em Rondônia e, nesta safra, sua presença foi confirmada também em áreas produtoras de Mato Grosso, o que reforça a importância de acompanhar sua evolução e compreender seu comportamento nas condições locais.

Diagnóstico é o primeiro passo 
Diante da semelhança entre os sintomas provocados por diferentes doenças de espiga, a Fundação Rio Verde orienta os produtores a não basearem suas decisões apenas na avaliação visual das plantas. 

O encaminhamento de amostras para análise laboratorial continua sendo a forma mais segura de identificar corretamente o agente causal e definir estratégias de manejo compatíveis com cada situação. A identificação precisa evita interpretações equivocadas e permite que as decisões para a próxima safra sejam tomadas com maior segurança técnica.

Com a intensificação das pesquisas e o acompanhamento permanente das lavouras, a Fundação Rio Verde segue produzindo informações que auxiliam produtores, consultores e empresas na construção de sistemas de produção cada vez mais sustentáveis e eficientes, fortalecendo o desenvolvimento da agricultura mato-grossense.

Fundação Rio Verde 
Os estudos desenvolvidos pela Fundação de Pesquisa Rio Verde representam a construção de soluções adaptadas à realidade mato-grossense.

Para mais informações entre em contato com a Fundação Rio Verde de segunda à sexta-feira, das 7:30 às 11:30 e das 13:00 às 17:30, pelos telefones (65) 9 9995-7407 e (65) 9 9997-3597.  

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