Política Executivo Estadual
Mauro Carvalho deixa comando da Casa Civil e nega irregularidades em acordo do Estado
Secretário-adjunto Adjaime Ramos assume a pasta; ex-senador divulgou carta afirmando que desligamento é voluntário para dedicação à defesa institucional.
11/08/2026 21h02
Por: Redação Fonte: Robson Alex - MT Agora

Mauro Carvalho Junior deixou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do Governo de Mato Grosso nesta terça-feira (11). Com a saída oficializada, o comando do órgão foi assumido por Adjaime Ramos de Souza, servidor que exercia o posto de secretário-adjunto de Relação com os Municípios e atua na estrutura governamental desde 2019.

Em carta aberta divulgada após o anúncio, Carvalho pontuou que a decisão de deixar o Executivo estadual foi alinhada em conjunto com sua família e com o governador Otaviano Pivetta. O objetivo, segundo ele, é resguardar sua rotina e prestar assistência aos familiares citados nas investigações sobre o acordo administrativo firmado entre o Estado e a empresa de telefonia Oi. As informações e as declarações do ex-secretário foram veiculadas por diversos portais.

Argumentos da defesa e posicionamento
No documento, o ex-gestor ressaltou que sua saída não decorre de ordem judicial. Conforme destacou, o pedido de afastamento cautelar apresentado no processo foi indeferido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhando manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) por ausência de indícios de uso do cargo público para atos ilícitos.

Carvalho reafirmou que não participou das negociações do acordo nem obteve benefícios diretos ou indiretos da transação. Ele lembrou que entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período de tramitação do processo administrativo em questão, não exercia cargo público no Estado ou na União. Ele também destacou que os recursos injetados em suas empresas por familiares têm origem legal no próprio grupo empresarial.

O ex-secretário frisou que a investigação está na fase inicial de apuração e não representa condenação judicial, reforçando sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos. "Investigação não é condenação. A própria decisão diz, com todas as letras, que não está afirmando a culpa de ninguém: ela apenas autoriza que os fatos sejam apurados", pontuou em sua nota oficial.

Carvalho também prestou solidariedade ao procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, que também deixou o cargo e ao deputado federal Fábio Garcia, manifestando confiança no andamento dos trabalhos para provar a regularidade de seus atos.

Leia a carta:

"Aos mato-grossenses,

Comunico que deixo, nesta data, o cargo de Secretário-Chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso.

Não retornei ao serviço público por ambição nem por vaidade. Eu havia deixado a Casa Civil em julho/2023 para assumir o Senado Federal, e não tinha nenhuma intenção de voltar.

Em dezembro de 2025, veio um novo convite do Otaviano Pivetta e Mauro Mendes, e no primeiro momento eu não aceitei. Levei algumas semanas para responder. Respondi sim, por gratidão e por lealdade a um grupo político do qual nunca me afastei, e assumi a Casa Civil em abril/2026. Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade.

Deixo o cargo para me dedicar inteiramente à minha família, às minhas empresas e esclarecer estes fatos e provar a minha inocência.

Entre dezembro de 2023 e abril de 2024 — período em que tramitou o processo da Oi — eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual, de modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo.

Saio de pé e com a consciência tranquila.

Registro, com serenidade, três fatos objetivos e verificáveis:

Primeiro. O afastamento do meu cargo foi requerido pela autoridade policial e foi indeferido pelo Supremo Tribunal Federal que negou a medida, acolhendo a manifestação da Procuradoria-Geral da República no sentido de que não havia indício de uso do meu cargo para qualquer finalidade ilícita. Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o Governador do Estado.

Segundo. Isto é uma investigação — e investigação não é condenação. Não fui denunciado, não estou sendo processado criminalmente e não fui condenado. A própria decisão diz com todas as letras, que não está afirmando a culpa de ninguém: ela apenas autoriza que os fatos sejam apurados. Apurar é o começo do caminho. Julgar é o fim. Estamos no começo, e eu...

Terceiro. Reafirmo integralmente o que já declarei publicamente em nota, não participei do acordo e não me beneficiei. Nenhum recurso originário do acordo firmado com a Oi foi utilizado em benefício próprio ou da minha família. Todo valor aportado pela minha família nas empresas de que participamos decorre de recursos do meu grupo empresarial. Na decisão, não me é atribuído nenhum ato concreto: meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta. Tenho a convicção de que, ao final do processo, o caso será esclarecido e a minha inocência e a da minha família comprovadas.

Sobre a ação que corre no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e que trata dos mesmos fatos: ela não diz, em momento algum, que eu fiz alguma coisa. E, quando trata dos meus familiares, o próprio denunciante escreveu que o benefício teria sido indireto, ou seja, nem ele aponta um pagamento, um contrato, um ato, pois não existe. Quem tem prova não precisa escrever "indiretamente".

Deixo registrada minha solidariedade ao Procurador-Geral do Estado Dr. Francisco Lopes e ao Deputado Federal Fábio Garcia, que nesta mesma semana tiveram a honra exposta antes de qualquer contraditório.

Ao Governador Otaviano Pivetta, minha gratidão pela confiança e meu desejo sincero de que o Governo siga em frente. Aos servidores da Casa Civil, meu respeito e admiração. À minha família, que carregou o peso maior sem ter escolhido nada disso, todo o meu amor.

Peço a Deus que a verdade prevaleça, e que ninguém seja condenado sem culpa, como aconteceu com Jesus diante de Pilatos. Que Deus abençoe todos nós".

Mauro Carvalho Junior

Cuiabá/MT, 11 de agosto de 2026.

Nota da Redação: Em respeito à legislação eleitoral e ao debate democrático, o MT Agora mantém seu espaço aberto a todos os candidatos e siglas partidárias, sem distinção, para que possam apresentar suas considerações, propostas ou manifestações à nossa equipe de jornalismo.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por Mauro Carvalho (@maurocarvalhojr_)