As urnas mal esfriaram e o cenário político de Mato Grosso já se reconfigurou para o segundo turno da disputa presidencial. Na tarde desta segunda-feira (05), Cuiabá foi palco de um evento suprapartidário que oficializou o que, nos bastidores, já era uma articulação em andamento: a união das principais lideranças políticas do estado em torno da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
O encontro reuniu pesos-pesados da política mato-grossense recém-consagrados nas urnas. Estavam presentes o governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos), os senadores eleitos Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL), acompanhados de seus suplentes, Odilio Balbinotti e Cidinho Santos, além de prefeitos de cidades estratégicas, como Abilio Brunini (Cuiabá) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis), o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), e diversos parlamentares eleitos.
Fim das amarras partidárias
A grande marca do evento foi a superação das divisões que pautaram o primeiro turno no Estado. Se antes a fidelidade partidária impedia que o grupo de Pivetta e Mendes dividisse o mesmo palanque público com Medeiros — que, pelo PL, apoiava outro candidato ao Governo —, agora o cenário é de alinhamento irrestrito.
"Nós andávamos juntos, mas não podíamos fazer essa cena. Agora nós podemos", resumiu o governador Pivetta, ao selar o aperto de mãos com Medeiros e Mendes, demonstrando a unidade estrutural do grupo. Durante o ato, Pivetta foi enfático ao declarar que trabalhará ativamente para ampliar a vantagem do presidenciável do PL sobre o presidente Lula (PT) em Mato Grosso.
Governabilidade e pautas institucionais
O tom dos discursos focou na defesa das instituições e na viabilidade de um futuro governo federal. Mauro Mendes destacou a existência de uma "insatisfação com o que está acontecendo e esses problemas com as instituições", sinalizando que o União Brasil deve caminhar para o apoio oficial.
O senador eleito José Medeiros apontou para a necessidade da vitória da direita para "destravar o Estado" diante da tensão em Brasília. Na mesma linha, o prefeito da capital, Abilio Brunini, argumentou que o atual desenho de oposição no Congresso Nacional tornaria um eventual governo adversário praticamente "ingovernável".
Com esta movimentação rápida e coordenada, os líderes de Mato Grosso demonstram organização estratégica, sinalizando ao cenário nacional que o Estado entrará na reta final da disputa presidencial com um bloco político coeso e de forte peso eleitoral.