O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, réu pelo assassinato da esposa, a empresária Gleici Keli Geraldo, e pela tentativa de homicídio contra a própria filha, já não desfruta do conforto de uma internação privada. Por determinação da Justiça, ele foi transferido para o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, unidade pública localizada em Cuiabá. A movimentação atende a uma manifestação da assistência de acusação e do Ministério Público do Estado.
A permanência de Daniel na clínica particular vinha ocorrendo sob a justificativa de falta de leitos no sistema público, situação que já havia gerado um custo estimado em mais de R$ 200 mil aos cofres do Estado. Assim que a vaga no Adauto Botelho foi confirmada, a transferência foi imediatamente executada.
O cerco contra o acusado também apertou após a recente divulgação de novas imagens do circuito interno da residência, registradas na madrugada do crime, ocorrido em junho de 2025, no município de Lucas do Rio Verde. Os registros mostram o engenheiro pegando uma faca, ocultando o objeto do alcance da câmera e espreitando repetidamente o quarto onde as vítimas dormiam. Para a acusação, a gravação evidencia o planejamento minucioso e a frieza do ato, contrariando a versão da defesa.
"Diante dessa repercussão, bem como da manifestação desse assistente à acusação e o parecer ministerial, onde juntamos os vídeos, pedindo nova perícia para trazer a realidade fática. E o Ministério Público também entendeu que é necessária uma análise melhor do vídeo", afirmou o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici, detalhando os fundamentos que embasaram o pedido de reavaliação.
A estratégia da defesa de Daniel concentra-se em tentar emplacar a tese de inimputabilidade, alegando que o engenheiro enfrentou problemas de saúde mental, sofreu um surto e não tinha consciência dos próprios atos no momento em que desferiu 21 facadas contra a esposa e atacou a filha de sete anos. Contudo, a acusação garante que as evidências visuais vão desmoronar essa narrativa durante a análise da Justiça.
"Por enquanto ele está alegando uma inimputabilidade, do qual vamos provar que ele não é inimputável, então ele vai estar lá, agora, no Adauto Botelho", destacou Rodrigo Pouso, reforçando a confiança de que os exames confirmarão a plena consciência do autor durante a execução do crime.
Com a transferência para o Adauto Botelho, o processo caminha para uma fase decisiva de perícias psiquiátricas rigorosas, enquanto a sociedade e a família de Gleici Keli Geraldo aguardam pelo desfecho e pela condenação de um dos casos mais brutais registrados no Estado.