Cidades Cerco no TCE-MT
Cerco no TCE-MT: PF prende presidente Sérgio Ricardo e mira conselheiros em operação contra corrupção
Mais de 180 agentes federais cumprem mandados em três estados para desarticular suposto esquema de pressão a fornecedores, lavagem de dinheiro e saques em espécie dentro da instituição.
29/10/2026 07h44
Por: Redação Fonte: MT Agora

O comando do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) foi alvo de uma investida fulminante da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (29). O presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso preventivamente durante a deflagração da Operação Tomada de Contas. A ação visa desmantelar uma organização criminosa investigada por irregularidades na gestão de contratos administrativos e no pagamento de servidores da instituição.

Além do presidente, o cerco da PF fechou sobre outros nomes do alto escalão do Tribunal. O conselheiro José Carlos Novelli e o consultor jurídico-geral do órgão, Gregory Paiva, também figuram entre os alvos da operação, que mobilizou um contingente de aproximadamente 180 policiais federais.

As equipes cumprem, ao todo, seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão expedidos com o aval do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também autorizou a quebra de sigilos e o bloqueio imediato de bens dos envolvidos. A ofensiva ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso, alcançando endereços estratégicos em Mato Grosso do Sul e São Paulo.

O avanço das investigações revelou um esquema audacioso. Segundo a PF, a suspensão de contratos administrativos era utilizada como um mecanismo de pressão direta sobre os fornecedores. A prática garantia um tratamento diferenciado e celeridade na liberação de recursos públicos para as empresas que entravam no jogo.

A apuração detectou ainda graves divergências nos repasses feitos às prestadoras de serviço e movimentações financeiras completamente atípicas por parte de servidores públicos. Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos investigadores foi a rotina de saques recorrentes em espécie, apontando indícios de ligação direta entre vultosos créditos bancários e retiradas de dinheiro vivo realizadas nas próprias dependências do Tribunal.

Os alvos da Operação Tomada de Contas deverão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de capitais e formação de organização criminosa. Com o afastamento dos investigados e a apreensão de documentos, a expectativa é de que novas ramificações e beneficiários do esquema sejam expostos no decorrer das análises periciais.