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Expedição fluvial faz reuniões em Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio
Comitiva já percorreu mais de 400 km do rio
19/01/2023 10h45 Atualizada há 3 anos
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MT

A comitiva que percorre desde a última segunda-feira (16) as águas do rio Cuiabá passou entre a noite de terça (17) e o fim de quarta (18) pela capital do estado, por Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger até chegar em Barão de Melgaço. Nesse período, foram realizadas três reuniões com autoridades, população e pesquisadores. 

O Centro Cultural da comunidade São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, recebeu a primeira dessas reuniões. Mais uma vez, os membros da Expedição Fluvial no Rio Cuiabá ouviram os presentes sobre demandas locais e também as impressões dos ribeirinhos em relação aos rios Cuiabá e Coxipó. “Sou nascida e criada aqui, era tudo maravilhoso, a gente escolhia o que queria comer, mas com o tempo a poluição foi tomando conta e a nossa vida foi mudando”, lembra a ceramista Domingas Leonor da Silva, de 68 anos.

“Nós vivíamos da cerâmica e da pesca, o saranzal era de ponta a ponta, tomávamos banho de rio e não tínhamos doença nenhuma. Hoje a água dá coceira e encontramos no rio tudo que não presta, colchão velho, geladeira”, contou sobre o rio Coxipó. Outros moradores como Julia Rodrigues da Conceição reclamaram da falta de fiscalização para punir e prevenir crimes ambientais contra os rios que passam pela capital. “É preciso bater duro, cobrar as autoridades, denunciar. Salvar o rio é uma missão para ontem”, defendeu a ex-presidente da associação de moradores da comunidade. 

No bairro Bonsucesso, em Várzea Grande, a população lamentou a situação atual do rio Cuiabá. “As pessoas não conseguem mais sobreviver da pesca, estamos perdendo o fundamental que é a cultura ribeirinha, o rio que leva o nome da capital está abandonado”, reclamou Francenil de Jesus, mais conhecido como Bola. “Precisamos ter políticas, criar uma secretaria de pesca, tornar o rio navegável, fortalecer o turismo, montar uma guarda florestal para o rio, promover cursos junto à Marinha”, sugeriu. 

Na reunião realizada em Bonsucesso, além de Wilson Santos (PSD), requerente da expedição, participaram ainda os deputados Eduardo Botelho (União), presidente da Assembleia Legislativa, e Carlos Avallone (PSDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente do Parlamento estadual. “Com certeza um trabalho como esse vai ter impacto na conscientização das pessoas, vai gerar novas leis. Na nova legislatura, o deputado Wilson vai apresentar um relatório dessa expedição e a Comissão de Meio Ambiente vai trabalhar isso com a retomada dos trabalhos”, analisou Avallone.

“Não resta dúvida que essa expedição vai produzir um relatório importante para o estado e municípios tomarem providências em relação ao lixo, matas ciliares e a questão dos agrotóxicos. Sobre o esgoto temos o marco nacional e estadual que vai ter de estar 97% tratado até 2030 e parece que Cuiabá vai antecipar isso para 2025, então parece que já temos um caminho”, avaliou Eduardo Botelho. 

O presidente da associação de moradores do bairro Bonsucesso, Tercílio Pinheiro de Magalhães, elogiou o trabalho da expedição. “Esse projeto é muito importante para nós, para preservar o rio temos de ter apoio das autoridades”, afirmou. 

Em Santo Antônio de Leverger, a comitiva dialogou com a população que compareceu à Colônia de Pescadores. Os moradores fizeram queixas sobre a atuação das embarcações do tipo dragas utilizadas, por exemplo, para remoção de areia do rio. “As dragas estão desmoronando o barranco e ainda querem passar por cima da gente, pescador. A Sema [Secretaria Estadual de Meio Ambiente] patrulha todo dia o rio e não age em relação a isso”, denunciou Benedito Ribeiro. Membros da expedição o aconselharam a filmar e fazer uma denúncia formal, em caso de flagrar alguma irregularidade, para a Sema, Marinha e Agência Nacional de Mineração. 

Novamente nas visitas a Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio, os presentes declararam não apoiar a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no rio Cuiabá. “Se colocar usinas não dou dez anos para não existir mais peixes no rio Cuiabá para sustentação dos ribeirinhos”, sentenciou Tercílio Magalhães, de Bonsucesso. “Seria muito prejudicial ao nosso sistema econômico, para nós pescadores”, defendeu Tânia Souza, presidente da Colônia de Pescadores de Santo Antônio de Leverger. Até o momento, todas as comunidades em reunião com a comitiva se posicionaram contra a instalação de hidrelétricas no rio Cuiabá.

A expedição agora segue para os cerca de 300 km finais da jornada. O objetivo é que as embarcações cheguem até Porto Jofre com parada em Porto Cercado.