Terça, 17 de Março de 2026
21°C 28°C
Lucas do Rio Verde, MT
Publicidade

Forças Armadas já foram anistiadas pelo 8 de janeiro, diz historiador

Lucas Pedretti defende responsabilização das instituições

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
05/04/2025 às 15h25
Forças Armadas já foram anistiadas pelo 8 de janeiro, diz historiador
© Joédson Alves/Agência Brasil

“Estamos diante de um momento inédito na história do Brasil. Militares de alta patente estão sentados no banco dos réus e vão responder pelos crimes contra a democracia”. Esta é a visão do pesquisador Lucas Pedretti, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, o julgamento dos envolvidos no movimento golpista de 8 de janeiro de 2023 é fundamental.

Lucas Pedretti, no entanto, ressalta a importância da responsabilização institucional das Forças Armadas, de forma concomitante, pelo episódio. Individualizar essa responsabilização, avalia o pesquisador, faz parte da estratégia das Forças Armadas para que as discussões não impliquem em um debate sobre a necessidade de repensar e reformular a instituição.

Continua após a publicidade
Anúncio

“Se a responsabilização individual não for acompanhada por um processo pedagógico, político, de disputa de narrativa, não é automática a ideia de que a responsabilização do [Jair] Bolsonaro bastaria como um antídoto para futuros golpes. Porque o sentido político disso vai ser profundamente disputado na sociedade”, defendeu Pedretti, durante o seminário Memória dos 60 Anos do Golpe e Lutas Democráticas da Sociedade Civil, nesta sexta-feira (4), pelo Instituto Vladimir Herzog.

Diferentemente dos réus, “a gente poderia dizer que as Forças Armadas já foram anistiadas. Já foram anistiadas pelo 8 de janeiro, pela [participação no governo] Bolsonaro, pela pandemia, foram anistiadas pela intervenção militar no Rio de Janeiro”. Para o historiador, todos esses são processos conectados.

“A intervenção militar é [de fevereiro] de 2018. Dali a um mês, veio o assassinato da Marielle [Franco]. Dali a alguns meses, viria a eleição do Bolsonaro. E o ator institucional que atravessa toda essa temporalidade são as Forças Armadas”, destacou. Ele acrescenta que a memória é fundamental para consolidar a democracia, mas ela não consolida a democracia de maneira automática.

Não é porque há memória sobre a ditadura que, portanto, a democracia no país estará fortalecida de forma garantida.

“Essa memória que a gente constrói vai encontrar outra memória no plano da disputa política, que é construída do lado de lá. A extrema direita sabe muito melhor que o nosso campo a importância de disputar a memória. Bolsonaro fez política de memória desde o dia zero do governo até o último. A última medida dele foi extinguir a comissão de mortos desaparecidos”, apontou.

O historiador lembrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, com honras no Palácio do Planalto, a viúva do coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi comandante do DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura. “Ele recebeu o Curió, um assassino confesso, com honras. Bolsonaro jamais apostou na ideia de que ‘falar sobre o passado é remoer’. A extrema direita sabe que disputar a memória não é disputar o passado, mas sim o futuro”.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lucas do Rio Verde, MT
23°
Chuva
Mín. 21° Máx. 28°
24° Sensação
2.78 km/h Vento
91% Umidade
100% (10.5mm) Chance chuva
06h47 Nascer do sol
18h57 Pôr do sol
Quarta
27° 21°
Quinta
27° 20°
Sexta
24° 21°
Sábado
25° 20°
Domingo
26° 21°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,20 +0,09%
Euro
R$ 6,00 +0,12%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 405,650,43 -1,36%
Ibovespa
180,409,73 pts 0.3%
Publicidade
Publicidade
Publicidade