Sexta, 10 de Abril de 2026
21°C 29°C
Lucas do Rio Verde, MT
Publicidade

Custo Brasil tem consumo de R$ 1,7 trilhão anualmente

Entraves que encarecem os produtos nacionais são itens que mais pesam para o empresário brasileiro, diz o executivo José Roberto Colnaghi

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
09/10/2025 às 14h26
Custo Brasil tem consumo de R$ 1,7 trilhão anualmente
Freepik/ Divulgação

O "Custo Brasil", que abrange entraves estruturais, burocráticos, logísticos e tributários, encarece a produção e a prestação de serviços no país, impactando negativamente a competitividade das empresas brasileiras em relação a concorrentes internacionais. Segundo estimativas do Movimento Brasil Competitivo e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esses obstáculos representam um custo adicional de aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano, valor que as empresas nacionais precisam gastar a mais para manter suas atividades e levar produtos ao mercado em comparação com empresas de países desenvolvidos.

“Essas ineficiências, que são equivalentes a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), dificultam a inserção no exterior dos produtos brasileiros”, diz José Roberto Colnaghi,  presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, grupo que atua em diversos segmentos industriais e do agronegócio. “Os empresários brasileiros enfrentam desafios adicionais que dificultam sua competitividade em relação aos concorrentes”, comparou Colnaghi.

Continua após a publicidade
Anúncio

Pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com mais de mil empresários industriais de todo país, revela que 70% dos entrevistados consideram a carga tributária o maior vilão do Custo Brasil. Outros entraves incluem dificuldades na contratação de mão de obra qualificada (62%), financiamento de negócios (27%) e segurança jurídica/regulatória (24%). A pesquisa também revela que 77% dos empresários acreditam que o Custo Brasil aumenta os preços finais pagos pelos consumidores. 

O atual sistema tributário brasileiro é considerado um dos mais complexos do mundo. A burocracia para cumprir obrigações acessórias e a sobreposição de tributos em diferentes níveis de governo aumentam a incerteza e o risco de litígios, elevando o gasto jurídico. “Felizmente, com a entrada em vigor da Reforma Tributária este cenário deve mudar nos próximos anos”, acredita José Roberto Colnaghi, ressaltando, porém, que a reforma só estará completamente implementada em 2033.

Outro peso importante é a contratação de mão de obra, com encargos trabalhistas elevados e regras pouco flexíveis, o que limita a produtividade e encarece a folha salarial. A falta de qualificação profissional em diversos setores amplia o problema: muitas empresas relatam dificuldade em encontrar trabalhadores com as competências necessárias para operar novas tecnologias e processos.

O termo Custo Brasil é antigo, foi cunhado nos anos 1990, mas até hoje tem impacto forte e crescente, na percepção dos empresários ouvidos pela pesquisa da CNI. Para 64% dos entrevistados, o impacto do Custo Brasil cresceu nos últimos três anos, refletindo no aumento nos preços. Portanto, 78% deles acreditam que reduzir o Custo Brasil é prioridade estratégica para as empresas.

Os efeitos do Custo Brasil se espalham por toda a economia. Produtos e serviços ficam mais caros para o consumidor, enquanto as empresas perdem margem de lucro e capacidade de investir. “A competitividade internacional diminui, pois é mais difícil exportar quando o preço final de um produto brasileiro incorpora despesas que poderiam ser evitadas”, pondera José Roberto Colnaghi. O impacto no emprego também é direto: recursos que poderiam ser aplicados em inovação, expansão e novas contratações acabam direcionados a pagar impostos, advogados ou fretes mais caros.

Para enfrentar esses entraves, o governo federal criou um Grupo de Trabalho de Redução do Custo Brasil e um observatório dedicado a monitorar indicadores e políticas públicas que atacam essas ineficiências. O desafio é de longo prazo e envolve a necessidade de enfrentar interesses de setores que se beneficiam da complexidade atual. Além disso, é fundamental mobilizar recursos para grandes obras de infraestrutura e garantir a estabilidade política necessária para implementar mudanças que podem levar anos para apresentar resultados.

“Enquanto essas reformas não avançam de maneira consistente, o Custo Brasil continuará representando um peso bilionário, que encarece o produto nacional e limita a capacidade de crescimento sustentável da economia”, adverte José Roberto Colnaghi.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lucas do Rio Verde, MT
21°
Tempo nublado
Mín. 21° Máx. 29°
22° Sensação
1.58 km/h Vento
94% Umidade
100% (4.72mm) Chance chuva
06h49 Nascer do sol
18h41 Pôr do sol
Sábado
28° 21°
Domingo
27° 21°
Segunda
25° 21°
Terça
27° 21°
Quarta
28° 21°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,07 +0,25%
Euro
R$ 5,93 +0,25%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 385,650,28 -0,64%
Ibovespa
195,129,25 pts 1.52%
Publicidade
Publicidade
Publicidade