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Saúde LGBTQIA+: cuidado contínuo exige jornada permanente

Dados indicam que a saúde LGBTQIA+ ainda enfrenta discriminação, despreparo profissional e barreiras estruturais. Dr. Rodrigo Barbosa, idealizador ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
16/01/2026 às 13h47
Saúde LGBTQIA+: cuidado contínuo exige jornada permanente
Imagem de rawpixel.com no Freepik

A população LGBTQIA+ enfrenta discriminação recorrente nos atendimentos de saúde, com condutas inadequadas de profissionais, ausência de acolhimento e omissão de cuidado, segundo um relatório da Agenda Mais SUS: Evidências e Caminhos para Fortalecer a Saúde Pública no Brasil, publicado em 2023.

O documento aponta que a maioria dessa população evita procurar serviços de saúde por medo de sofrer violência, e destaca o desconhecimento das demandas específicas da população, além de práticas generalistas que ignoram as diferenças históricas, sociais e culturais que atravessam esses grupos.

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Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, especialista em cirurgia bariátrica e coloproctologia, fundador do Instituto Medicina em Foco e idealizador do Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD), aponta que é fundamental pensar na saúde da população LGBTQIA+ como uma jornada contínua.

"A saúde LGBTQIA+ não pode ser apenas uma pauta no mês da visibilidade e o zelo deve ir além do discurso. Trata-se de uma população que, historicamente, enfrenta exclusões, violências e silenciamentos dentro do próprio sistema de saúde. Pensar em uma jornada contínua significa garantir acesso permanente, cuidado especializado e escuta ativa todos os dias do ano.", declara o médico.

Segundo o especialista, os principais desafios enfrentados por pessoas LGBTQIA+ no acesso a serviços de saúde atualmente são o preconceito institucional, a falta de preparo técnico das equipes, o uso de linguagem inadequada, a negligência no atendimento e o desconhecimento das demandas específicas, como hormonização, saúde sexual ou saúde ginecológica de pessoas transmasculinas.

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), feito com pessoas acima de 50 anos, apontou que 31% dos idosos LGBTQIA+ estão no pior nível de acesso à saúde, frente a 18% dos não-LGBTQIA+. A pesquisa também identificou maior prevalência de depressão no grupo, 37% contra 28%, e percepção generalizada de despreparo dos profissionais para lidar com questões LGBT.

Acolhimento especializado

A Dra. Isabela Tavares, otorrinolaringologista especialista em glotoplastia de Wendler, reforçan que o acolhimento genuíno é o ponto de partida para qualquer jornada de transformação. "Quando a paciente se sente segura para falar de si — sem medo, vergonha ou julgamentos — conseguimos promover não só uma mudanção estética da voz, mas um impacto profundo na autoestima, saúde mental e emocional.", explica.

Coordenadora de Cuidado à Fala do Instituto Medicina em Foco, Isabela atua com a fonoaudióloga Dra. Daniella Gali, especialista em feminilização vocal e reabilitação pós-cirúrgica. Juntas, buscam oferecer um atendimento técnico, humanizado e personalizado, que respeita a identidade e as vivências de cada paciente.

"A voz está diretamente ligada à autoestima. Para muitas mulheres trans e pessoas não binárias, ela ainda é motivo de sofrimento e insegurança. Quando construímos um espaço de escuta ativa, onde o nome e o pronome são respeitados desde o primeiro contato, o tratamento se torna uma ferramenta real de libertação.", ressalta Dra. Isabela.

De acordo com a especialista, a abordagem centrada na pessoa, com protocolos clínicos adaptados e equipe multiprofissional treinada, amplia a adesão ao tratamento e contribui para diagnósticos mais precisos, melhor recuperação pós-operatória e bem-estar integral.

"Cuidar da voz vai muito além da técnica. É sobre validar identidades, devolver confiança e fazer com que cada pessoa se reconheça ao se ouvir. Isso transforma vidas.", complementa a Dra. Isabela Tavares.

Apesar dos avanços em políticas públicas como os ambulatórios trans e a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, as especialistas reforçam que ainda faltam estrutura, financiamento e preparo técnico em muitos serviços — tanto públicos quanto privados.

Para elas, a mudança real começa quando os espaços de saúde deixam de tratar a diversidade como um diferencial e passam a vê-la como valor inegociável. "É nesse propósito que o Instituto Medicina em Foco busca investir em capacitação contínua e no fortalecimento de um time que escuta, respeita e acolhe.", afirmam. 

Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD)

A otorrinolaringologista especialista em voz revela que o foco do NUAD está em reconstruir a relação de confiança entre o paciente LGBTQIA+ e o sistema de saúde, por meio de formação continuada dos profissionais, escuta ativa e protocolos adaptados. 

"O objetivo é que cada profissional, independentemente da função, entenda que inclusão não é um gesto simbólico, mas uma competência técnica e ética.", esclarece a Dra. Isabela ao lado da Dra. Antonela Siqueira, endocrinologista especialista em hormonização. 

Entre as estratégias utilizadas para capacitar a equipe multiprofissional a oferecer um atendimento humanizado e inclusivo estão rodas de conversa com pacientes, escuta interna ativa com a equipe e aplicação de materiais de referência nacionais e internacionais em formações internas periódicas – com foco em identidade de gênero, orientação sexual, interseccionalidades e protocolos clínicos adaptados.

"A existência do NUAD busca reforçar nosso compromisso com uma saúde que respeita a pluralidade humana. Sabemos que, para muitas pessoas LGBTQIA+, ir ao médico ainda é um ato de coragem. Nosso foco é transformar isso em algo cotidiano, seguro e leve. O cuidado só é completo quando é diverso.", declara a endocrinologista.

O acolhimento especializado em saúde LGBTQIA+ é apontado por especialistas como fator central para adesão ao cuidado e redução do sofrimento psíquico, especialmente em populações historicamente excluídas do sistema de saúde.

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