
Em um cenário de maior atividade no mercado de fusões e aquisições (M&A), especialistas apontam que o momento de preparação para uma eventual transação influencia diretamente o valor percebido das empresas. Estudos de consultorias como a PwC e a Deloitte indicam que fatores como governança, previsibilidade financeira e organização operacional são determinantes na avaliação de ativos, impactando tanto o valuation quanto o interesse de investidores. Nesse contexto, a preparação antecipada se torna um elemento central para empresas que buscam maximizar valor em processos de venda ou captação.
Segundo Lucas Mendes, CEO da Helping Hand, observa-se no mercado que muitas empresas passam a considerar operações de M&A apenas quando enfrentam algum tipo de pressão, como aumento da concorrência, necessidade de liquidez, ausência de sucessão ou desgaste na gestão. Esse movimento tardio altera a dinâmica das negociações, uma vez que o timing influencia diretamente a percepção de risco por parte dos compradores. "Quando uma empresa é colocada no mercado em um cenário de necessidade, tende a ser avaliada sob uma ótica mais cautelosa, o que pode resultar em condições menos favoráveis na transação", explica.
De acordo com os dados da PwC, o volume global de transações de M&A ultrapassou US$ 3 trilhões em anos recentes, reforçando que há capital disponível e apetite por aquisições, especialmente para empresas bem estruturadas, com governança, previsibilidade e baixa dependência do fundador. Para Mendes, isso mostra que o valor de uma empresa não está apenas nos seus números atuais, mas na sua capacidade de gerar confiança no futuro.
"O empresário que espera a pressão chegar perde poder de negociação. Valor é construído antes, com estrutura, governança e visão estratégica", afirma o CEO da Helping Hand. Pensar em M&A, nesse contexto, está relacionado à construção de opcionalidade estratégica, por meio da estruturação da empresa para que ela se torne atrativa ao mercado antes de uma eventual decisão de venda. "Esse processo envolve o fortalecimento de fundamentos operacionais, financeiros e de governança, permitindo que o negócio seja percebido como uma oportunidade estratégica, e não como uma alternativa motivada por necessidade."
Mendes explica que a atuação nesse estágio anterior à decisão de venda consiste em apoiar empresários na organização de suas estruturas, na mitigação de riscos percebidos e no aumento da atratividade do negócio perante potenciais investidores. O executivo acrescenta que, sob essa perspectiva, o M&A deixa de ser tratado como um evento isolado e passa a ser incorporado à estratégia de longo prazo da empresa, com foco na construção consistente de valor ao longo do tempo.