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Tribunal do Júri condena empresário a 13 anos de prisão pelo assassinato brutal da jovem trans Mayla Martins

O julgamento histórico em Lucas do Rio Verde reconheceu a qualificadora de feminicídio. A condenação expõe a face mais cruel do sentimento de posse e do ódio de gênero na sociedade mato-grossense

Redação
Por: Redação Fonte: MT Agora
16/04/2026 às 15h56
Tribunal do Júri condena empresário a 13 anos de prisão pelo assassinato brutal da jovem trans Mayla Martins
Jorlan Ferreira (no detalhe) foi condenado a 13 anos de prisão pelo feminicídio de Mayla Martins

A Justiça deu a sua resposta, ainda que para muitos a pena pareça branda diante da monstruosidade dos fatos. O empresário Jorlan Cristiano Ferreira foi condenado nesta quarta-feira (15) a 13 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Ele sentou no banco dos réus pelo assassinato de Mayla Rafaela Martins, uma jovem mulher transexual, em um caso que chocou Lucas do Rio Verde e todo o estado pela frieza e pela violência extrema.

O julgamento, conduzido pelo Tribunal do Júri do município, não apenas sentenciou o réu pelos crimes de homicídio, fraude processual e ocultação de cadáver, mas cravou uma posição institucional histórica. Os jurados reconheceram de forma expressa que o crime ocorreu em razão da condição feminina da vítima. A decisão aplica a qualificadora de feminicídio, deixando claro que Mayla foi morta devido ao menosprezo e à discriminação direta ao seu gênero.

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A motivação do assassinato escancara o lado mais perverso do machismo. Segundo a tese do Ministério Público, acolhida no plenário, o crime foi impulsionado por um doentio sentimento de posse. O empresário, incapaz de lidar com a rejeição, ceifou a vida da jovem após ela se recusar a manter um relacionamento com ele.

A barbárie e a frieza calculada
O crime aconteceu na madrugada de 16 de janeiro de 2024. Mayla foi brutalmente assassinada com golpes de faca nos fundos de um estabelecimento comercial pertencente ao réu, no bairro Parque das Emas, em Lucas do Rio Verde.

A crueldade de Jorlan não se encerrou no momento dos golpes. Em uma tentativa calculada de sair impune e mascarar as provas, o empresário limpou a cena do crime, destruiu os pertences pessoais da jovem e transportou o corpo de forma clandestina. O cadáver da vítima foi abandonado em uma lavoura em uma área rural do município de Sorriso.

Para o promotor de Justiça Samuel Telles Costa, que atuou na acusação durante o júri, o veredito representa um marco inegável no enfrentamento da violência. O representante do Estado destacou que a aplicação do feminicídio neste caso é um passo essencial para o fortalecimento da igualdade e deixa um recado incisivo de que crimes motivados por discriminação não passarão impunes.

A condenação de Jorlan encerra um importante capítulo judicial e traz algum alento à família da vítima, mas lança uma dura reflexão. A pena foi estabelecida dentro do que a lei permite, mas evidencia que a ferida aberta pelo ódio de gênero e pela crença de que os corpos das mulheres são propriedades masculinas continua sendo uma das maiores chagas da nossa sociedade.

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