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Calor e chuvas elevam desafios no controle de pragas urbanas

Temperaturas elevadas e água da chuva aceleram a reprodução de insetos, deslocam roedores e ampliam focos de infestação. Diógenes Renato, diretor-t...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
22/05/2026 às 21h37
Calor e chuvas elevam desafios no controle de pragas urbanas
Imagem do Magnific/Drazen Zigic

Pragas urbanas são insetos e pequenos animais adaptados à convivência com o ser humano, conhecidos como animais sinantrópicos, segundo a Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (APRAG). Essas espécies encontram nas cidades condições favoráveis para abrigo, alimentação e reprodução, e podem representar riscos à saúde humana.

Os animais sinantrópicos apresentam alta capacidade de adaptação e resistência biológica, características que dificultam seu controle em áreas urbanizadas. Ambientes com umidade, disponibilidade de alimento e espaços com pouca manutenção favorecem sua permanência e proliferação, especialmente em períodos de temperaturas mais elevadas.

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Diógenes Renato, diretor-técnico da Desentupidora e Dedetizadora Suporte, explica que temperaturas acima de 30°C reduzem o tempo de eclosão dos ovos de insetos e no período de chuvas, as águas inundam galerias de esgoto pluvial e cloacal — água residual doméstica ou industrial —, expulsando roedores e baratas para a superfície. Além disso, o acúmulo hídrico em recipientes destampados fornece o meio líquido para o desenvolvimento das larvas do Aedes aegypti.

"As galerias funcionam como ninhos protegidos contra predadores naturais e variações climáticas, a falta de tratamento de esgoto também cria quilômetros de tubulações úmidas com matéria em decomposição. Paralelo a isso, a densidade demográfica concentra a geração de resíduos sólidos em áreas restritas e o descarte de lixo orgânico em vias públicas fornece carboidratos e proteínas para roedores e insetos", acrescenta o especialista.

Pragas mais comuns e principais desafios

O diretor-técnico relata que as pragas mais comuns encontradas nas cidades brasileiras são o Aedes aegypti, os roedores urbanos — principalmente a ratazana —, as baratas da espécie Periplaneta americana e os ácaros, que respondem pelas infecções de dengue, Zika e Chikungunya, Leptospirose, intoxicações alimentares, rinite e asma.

"Os roedores eliminam a bactéria Leptospira pela urina, infectando a água de poças e enchentes, os ácaros e fragmentos de insetos mortos em ambientes fechados desencadeiam doenças respiratórias. Já as baratas carregam enterobactérias no exoesqueleto e infectam alimentos nas cozinhas", comenta o profissional.

Entre 2023 e 2024, o Brasil registrou mais de 4 milhões de casos de dengue, com cerca de 2 mil mortes confirmadas. O custo hospitalar e de combate à doença ultrapassou os R$ 1,5 bilhão em recursos públicos. Além disso, empresas brasileiras gastam, em média, R$ 7 bilhões por ano com medidas corretivas e preventivas contra pragas urbanas. Os dados foram publicados pela empresa de saneamento e meio ambiente Hidrosam.

De acordo com Diógenes Renato, os principais desafios enfrentados pelas empresas especializadas no controle de pragas urbanas são a resistência genética das pragas aos princípios ativos e o acesso físico aos criadouros, que exige ferramentas de perfuração e sondagem.

"Os ninhos ficam em vãos de alvenaria, dutos de ar e subsolos. Ademais, o uso contínuo de inseticidas de venda livre seleciona indivíduos imunes aos venenos comerciais e a legislação sanitária restringe as concentrações químicas permitidas em áreas com circulação humana contínua", afirma o especialista.

Conteúdo especializado da Prefeitura de São Paulo orienta vedar bem os vãos de parede com massa de cimento ou revestimento, guardar alimentos em potes fechados, preferencialmente na geladeira, manter o lixo bem tampado e colocá-lo na rua pouco antes da coleta. A publicação da Secretaria de Saúde destaca a importância de manter o controle de ectoparasitas em animais de estimação, conservar ambientes livres do acúmulo de materiais e recipientes abertos da água da chuva.

O especialista da Desentupidora e Dedetizadora Suporte pontua que uma dedetização preventiva estabelece barreiras químicas no perímetro antes da fase de revoada ou acasalamento das espécies, interrompendo a reprodução dos vetores e funcionando como uma importante ferramenta para a saúde pública.

"São instaladas estações de iscas raticidas e aplicadas formulações em gel ou líquido microencapsulado nos pontos de entrada do imóvel. A operação diminui a quantidade de animais adultos no ambiente, e o declínio populacional das pragas reduz as taxas de infecção por arboviroses e doenças bacterianas nos bairros atendidos", detalha o profissional.

Diógenes Renato lembra que, além da dedetização, medidas simples no dia a dia ajudam a reduzir a presença desses animais: "É importante vedar frestas sob as portas com rodos de borracha, instalar telas milimetradas nos ralos para bloquear a passagem de baratas e escorpiões do encanamento para o banheiro, adotar lixeiras de plástico grosso com tampa de fechamento hermético para o acondicionamento de resíduos e realizar limpeza de calhas e a vedação de caixas d'água para eliminar criadouros de mosquitos".

A fiscalização de ambientes comerciais e industriais é regida por normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exige que estabelecimentos mantenham controle rigoroso de pragas, com documentação de serviços realizados e a adoção de barreiras físicas, químicas e comportamentais para evitar infestações. A negligência no controle pode levar a sanções administrativas, interdições e processos judiciais.

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