
Teve início nesta segunda-feira (8) o período de vazio sanitário da soja em Mato Grosso, uma das principais estratégias fitossanitárias adotadas para proteger as lavouras, reduzir a incidência de doenças e garantir a sustentabilidade da produção agrícola no Estado, maior produtor de soja do Brasil.
Durante o período, que segue até o início da próxima safra, fica proibida a presença de plantas vivas de soja nas propriedades rurais. A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo de sobrevivência e multiplicação de pragas e patógenos, especialmente da ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais agressivas da cultura e responsável por grandes prejuízos econômicos aos produtores.
“A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que necessita de plantas vivas de soja para sobreviver e se reproduzir. Ao eliminar a presença da cultura durante o vazio sanitário, há a redução significativamente da doença no ambiente, e contribui para uma produção mais eficiente e sustentável", explica a pesquisadora da Fundação Rio Verde, Luana Belufi.
Outro ponto destacado pela pesquisadora, é que além do controle fitossanitário, o período representa uma importante fase de descanso e preparação das áreas agrícolas. Sem a presença da cultura, o solo tem a oportunidade de passar por manejos que favorecem sua conservação, como correção da fertilidade, planejamento de práticas de cobertura vegetal, controle de plantas daninhas e ações voltadas à melhoria da estrutura física e biológica do terreno.
“O vazio sanitário deve ser encarado pelos produtores não apenas como uma obrigação legal, mas como uma ferramenta técnica essencial para a construção de uma safra mais produtiva e sustentável, por isso orientamos para que o período seja aproveitado para a realização de análises de solo, planejamento nutricional das áreas, manutenção de máquinas e equipamentos, além de práticas que contribuam para a preservação da qualidade física, química e biológica do solo” declara Luana.
O cumprimento da medida é obrigatório para todos os produtores rurais que cultivam soja em Mato Grosso. A fiscalização é realizada pelos órgãos de defesa agropecuária, e a manutenção de plantas vivas de soja durante o período pode resultar em autuações e penalidades previstas na legislação estadual.
A participação dos produtores é considerada essencial para o sucesso da estratégia. Quando adotado de forma coletiva, o vazio sanitário fortalece a proteção das lavouras em todo o Estado.
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