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Cirurgia robótica amplia tratamento da endometriose

Técnica oferece visão tridimensional e maior precisão dos movimentos em procedimentos complexos. O Dr. Alexandre Nishimura, coloproctologista e cir...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
11/06/2026 às 13h50
Cirurgia robótica amplia tratamento da endometriose
Imagem do Magnific/julos

A endometriose é uma doença crônica da mulher, caracterizada pelo crescimento de células semelhantes às do endométrio fora da cavidade uterina, condição que ainda enfrenta desinformação e pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado, segundo informações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A doença pode provocar dores pélvicas intensas, desconforto durante relações sexuais, alterações urinárias e intestinais, além de possíveis impactos na fertilidade. Segundo a Febrasgo, o tratamento inicial da endometriose costuma ser clínico, enquanto a cirurgia é indicada principalmente em casos mais complexos ou quando há comprometimento de outros órgãos, como intestino e ureter.

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O Dr. Alexandre Nishimura, médico, coloproctologista e cirurgião robótico em São Paulo, com atuação voltada a cirurgias complexas, explica que a endometriose deixou de ser compreendida apenas como uma condição ginecológica e passou a ser reconhecida como uma doença de comportamento multissistêmico e multicompartimental.

"Embora acometa principalmente o sistema reprodutor feminino, ela pode atingir estruturas como intestino, bexiga, ureteres, diafragma, nervos pélvicos e outras regiões da pelve e cavidade abdominal, gerando sintomas muito diferentes entre as pacientes. Por isso, o tratamento moderno da endometriose exige uma visão integrada", afirma o médico.

Dependendo da extensão e do padrão da doença, o tratamento pode envolver ginecologistas, coloproctologistas, urologistas, radiologistas especializados, fisioterapeutas pélvicos, nutricionistas, especialistas em reprodução humana e suporte psicológico. Segundo o especialista, o objetivo deve ser além de apenas tratar lesões. "Devolver qualidade de vida, preservar função intestinal, urinária, sexual e reprodutiva e construir um plano terapêutico individualizado".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a 190 milhões de pessoas, e está presente em 25% a 50% dos casos de infertilidade feminina. Segundo a entidade, a variedade de manifestações da doença e a possibilidade de casos assintomáticos podem dificultar o diagnóstico, cujo tempo médio varia entre quatro e 12 anos.

"Muitas mulheres são levadas a normalizar sintomas por anos antes de procurar avaliação especializada, e existem apresentações muito diferentes da endometriose entre pacientes. Tudo isso leva ao diagnóstico ainda frequentemente tardio", relata o Dr. Alexandre Nishimura.

O médico acrescenta que, além disso, a dor pélvica nem sempre decorre exclusivamente das lesões visíveis, podendo coexistir inflamação crônica, fibrose, alterações musculares, sensibilização neural e outros mecanismos. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e baseado em história clínica detalhada, exame físico, correlação adequada com exames de imagem e abordagem multidisciplinar.

"Muitas mulheres apresentam excelente resposta ao tratamento clínico. A indicação cirúrgica surge quando existe persistência ou progressão dos sintomas, apesar do tratamento clínico, presença de dor incapacitante, comprometimento importante da qualidade de vida, alterações intestinais ou urinárias relacionadas à doença, infertilidade em contextos selecionados ou suspeita de acometimento profundo de órgãos", esclarece o cirurgião.

De acordo com a OMS, a endometriose também pode acometer regiões como abdômen e tórax, e o diagnóstico da doença pode ser realizado por avaliação clínica associada a exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética. O tratamento cirúrgico pode ser indicado em quadros mais complexos para remoção de lesões, aderências e tecidos cicatriciais relacionados à doença.

Cirurgia robótica

A cirurgia robótica de endometriose vem ganhando espaço ao oferecer visão tridimensional do campo cirúrgico e sete graus de liberdade de movimento dos instrumentos, segundo estudo divulgado pela Frontiers. Uma revisão de literatura publicada na PubMed Central também aponta que o avanço da técnica tem influenciado a prática cirúrgica na área, ampliando recursos técnicos para a abordagem de casos complexos e exigindo adaptação das equipes ao longo dos últimos anos.

"A cirurgia robótica é uma evolução tecnológica da cirurgia minimamente invasiva. Entre os diferenciais estão a visualização ampliada em alta definição e três dimensões, maior estabilidade dos movimentos, melhor ergonomia cirúrgica e instrumentos com elevada capacidade de articulação. Na prática, isso pode auxiliar em dissecações delicadas e na preservação de estruturas nobres, como nervos pélvicos, ureteres, bexiga e intestino", revela o especialista.

Segundo o cirurgião robótico, não há uma cirurgia padrão para endometriose, já que cada paciente tem sintomas, objetivos e padrães de acometimento diferentes. De acordo com ele, o planejamento cirúrgico precisa compreender se existe desejo reprodutivo, quais órgãos estão envolvidos, qual o impacto funcional atual e discutir expectativas reais de resultado.

"A tecnologia sozinha não substitui experiência, planejamento e equipe treinada. Como a endometriose frequentemente ultrapassa os limites do sistema reprodutor, uma abordagem multidisciplinar é cada vez mais importante. A participação de especialistas habituados ao tratamento da pelve complexa pode contribuir para maior segurança, previsibilidade e integralidade do tratamento", enfatiza o coloproctologista.

Um estudo com 68 pacientes com endometriose intestinal infiltrativa profunda submetidas à abordagem robótica multidisciplinar observou baixa taxa de complicações, menor tempo de internação e melhora da dor ao evacuar e da qualidade de vida após seis meses. A técnica é associada a maior precisão cirúrgica e preservação de órgãos em casos complexos, em comparação com abordagens minimamente invasivas convencionais.

Para mais informações, basta acessar: drnishimura.com/

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