
O governador eleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), prepara uma mudança drástica na gestão da malha viária do Estado. Com o objetivo de enxugar a máquina pública e organizar as responsabilidades estruturais, Pivetta anunciou que o Governo vai devolver cerca de 12 mil quilômetros de rodovias para a administração direta dos municípios. A medida expõe uma prática política antiga: a estadualização de trechos viários feita por deputados estaduais exclusivamente para ganho eleitoral, sem qualquer garantia de manutenção real por parte do Executivo.
Durante o anúncio, o governador classificou a situação histórica como uma "mentira" institucionalizada. Segundo ele, ao longo dos anos, diversos parlamentares transformaram estradas vicinais em rodovias estaduais no papel apenas para demonstrar serviço aos seus redutos políticos, criando um mapa irreal de estradas que o Estado nunca teve a capacidade financeira ou logística de assumir e conservar na prática.
"Essas cobrinhas que vocês veem no mapa são locais que foram estadualizados para cada parlamentar, ao longo da história de Mato Grosso, mostrar serviço para as suas bases. Foram estadualizando, estadualizando e, na verdade, nunca foram estaduais na prática e nem na manutenção, porque o Estado nunca chegou lá", disparou o governador Otaviano Pivetta, escancarando a ineficiência do modelo herdado do passado.
A devolução desses 12 mil quilômetros integra um novo plano diretor rodoviário que visa colocar ordem na infraestrutura mato-grossense. Para evitar que as cidades fiquem desamparadas ao reassumirem os trechos, o Estado confirmou que adotará um modelo de transferência fundo a fundo. Com isso, as prefeituras receberão uma fatia dos recursos já destinados à manutenção rodoviária, garantindo agilidade e autonomia financeira para cuidar das vias que cortam os seus próprios territórios.
"Nós estamos eliminando essa mentira, devolvendo para os municípios, cada um as suas cobrinhas, e vamos repassar também parte do recurso que é destinado à manutenção rodoviária, para que os municípios tenham autonomia para cuidar das suas estradinhas", explicou Pivetta, defendendo a descentralização dos repasses.
A reorganização das rodovias caminha lado a lado com um pacote maior de reforma administrativa que está a ser desenhado pela equipa de transição, estruturado por servidores de carreira com a participação da vice-governadora eleita, Gisela Simona (União Brasil). O objetivo central do novo mandato é frear despesas e simplificar a máquina pública. Questionado sobre a formação do seu futuro secretariado para executar essas mudanças, Pivetta não descartou cortes na atual equipa, admitindo que alguns nomes poderão ficar de fora da nova gestão e ser "desconvidados".