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Novo presidente do COB revela que governança será critério para repasse de verbas da Lei Agnelo Piva

Em entrevista ao GloboEsporte.com, Paulo Wanderley Teixeira diz que não é amigo de Nuzman, mas classifica os feitos do dirigente como insuperáveis

Redação
Por: Redação Fonte: MT Agora - Globo Esporte
15/10/2017 às 16h44 Atualizada em 09/02/2023 às 20h08
Novo presidente do COB revela que governança será critério para repasse de verbas da Lei Agnelo Piva

Governança. Portas abertas. Transparência. Paulo Wanderley Teixeira assumiu o Comitê Olímpico do Brasil na quarta-feira passada e nos últimos quatro dias repete essas palavras como um mantra. Até a prisão de Carlos Arthur Nuzman, o potiguar radicado no Espírito Santo era o vice-presidente do COB. Com a "bomba" nas mãos, se diz pronto para o cargo, mas garante que só o tempo irá mostrar se ele está certo. Apesar do curto período à frente da entidade, o novo presidente promete anunciar na próxima semana mudanças substanciais nos critérios de repasse da Lei Agnelo Piva, receita advinda das loterias federais e hoje o principal aporte financeiro do esporte olímpico e confederações brasileiras. O jogo mudou e a governança, trocando em miúdos, as alterações estatutárias, a organização interna e externa, e as mudanças até no colégio eleitoral serão essenciais para a distribuição do dinheiro.

Em dezembro do ano passado, o COB recebeu R$ 126 milhões da Agnelo Piva para repassar às confederações. Os critérios para distribuição entre os esportes passavam por medalhas olímpicas, finais e participações em Olimpíadas, medalhas em Jogos Pan-Americanos... A gestão financeira era o décimo e último fator. A governança e os estatutos nem sequer apareciam. Agora, seão incluídos e com promessa de destaque. Nenhuma confederação será obrigada a se adequar, mas caso não o faça, terá implicações futuras nesse repasse.

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- Estamos finalizando, eu acho que nos próximos dias estarão finalizados e serão apresentados todos os critérios que cada uma dessas confederações deverão obedecer para terem direito ao repasse da Agnelo Piva. Houve bastante inovações. Positivas, nessa distribuição de recursos. Vocês terão oportunidade de assistir. Isso está sendo debatido entre a parte técnica, que será analisada com muito cuidado. Mas teremos mudanças substanciais, e o estatuto está dentro dessas obrigações. Governança. O estatuto do COB já vai mudar. As confederações terão ou não que mudar. É uma escolha delas. Mas se estão participando do processo... Ninguém é obrigado a ser filiado a ninguém, mas quando você é filiado, você tem obrigações - disse Wanderley, que cumpre seu mantado até 2020.

Mostrando-se calmo, Paulo pontuou que nunca foi amigo próximo de Nuzman. Não esconde que foi indicado por ele, mas cita que teve aprovação de todo o colegiado e que por isso não teme que sua imagem fique atrelada a do ex-presidente do COB. Ainda assim, elogiou o dirigente Carlos Arthur Nuzman, para ele um homem insuperável no quesito resultado esportivo.

- Ele foi um administrador esportivo que revolucionou o esporte olímpico no Brasil. Seus feitos jamais serão superados esportivamente. Não tenho o que dizer de outra forma. Nossa relação era estritamente dentro do Comitê Olímpico e eventos que tínhamos participação, ele como presidente do COB e eu como presidente da Confederação Brasileira de Judô. Mas sempre fui tratado com fidalguia, sempre muito gentil no tratamento pessoal, até pela minha condição. Eu não estava, até então, direto aqui dentro. Eu vinha, ficava uns dez dias, voltava para casa. Mas o relacionamento era bastante cordial e afetivo. Meu trabalho é o meu trabalho. O trabalho dele é o trabalho dele. Não há como fazer comparações. É diferente. Pessoas diferentes, com formações diferentes, origens diferentes. Não é melhor nem pior. É isso - conta Paulo, citando que o repasse de verbas do COI, que está congelado, não chega a 5% da arrecadação do COB.

 

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Paulo Wanderley Teixeira

GloboEsporte.com - Não te preocupa patrocinadores pensarem que o Paulo Wanderley, que era o vice do Nuzman, possa ser apenas uma sequência do trabalho dele? 
Paulo Wanderley Teixeira - É uma análise simplista. Ele era o vice-presidente, então faz tudo igual... Você tem uma família com cinco filhos e todos são diferentes um do outro. Não tenho essa preocupação. É só nos dar tempo que vamos mostrar que temos um bom produto. O Comitê Olímpico do Brasil é um bom produto. O afastamento dos patrocinadores em várias modalidades e no COB era até previsível. Vivemos o momento de ouro do esporte nos últimos 10, 12 anos. Fatalmente estavam associados a uma Olimpíada. E é natural que no término desse ciclo houvesse uma mudança, ou de renegociação de patrocínio. Está acontecendo vagarosamente, esperamos acelerar isso aí, mas está acontecendo. Aliado a isso a conjuntura geral do país, não era difícil de se esperar outra situação.

O COB tratou em Assembleia esta semana a sua posse e a comissão para a mudança de estatuto, o que vai acontecer. Mas grande parte das confederações têm estatutos arcaicos. Não é um contrasenso? O COB vai cobrar que essas confederações também mudem os seus estatutos? 
Eu não concordo que a maioria esteja em falta de conformidade. Já acredito que a partir de 2017 melhorou muito essa questão. Mas já disse anteriormente. É uma medida irreversível. Vai ter que se enquadrar. Não só o COB, mas o Ministério do Esporte, têm exigências legais que penalizam quem não estiver conforme. Sempre sou favorável a medidas que a pessoa precisa tomar de forma consciente. Obrigar criar choque. É questão só de tempo. E a prova disso é exatamente a Assembleia, onde todos eles elegeram a comissão para a mudança. E os que não estiverem ajustados, vão mudar de maneira natural.

Qual é a grande mudança que você acha necessária no Estatuto do COB?
Eu tenho ideias. Que serão mostradas a essa comissão. Por exemplo: se questiona o prazo de apresentação de uma chapa. Que hoje eu considero muito elástico. A questão da participação do colégio eleitoral, que deve ser ampliado. Está muito restrito. Coisas que mostram que estamos acompanhando as necessidades da atualidade. A Governança. Defendo a presença de mais atletas. Agora, é uma questão que precisa ser muito bem discutida. São muitas variáveis. Se fala em atletas que tiveram medalha olímpica ou não. As avaliações de que atleta é atleta. Se participou de Campeonato Brasileiro é atleta. E quem garante que um atleta com medalha olímpica tenha mais direito que o outro?

Mas precisou da prisão do Nuzman para ter essa pressão para mudar? Porque o COB e confederações não mudaram antes, já que é um caminho que o mundo inteiro está tomando? Não mudou apenas porque o Nuzman foi preso?
Mudaram não foi de agora. O judô mudou no ano passado. Algumas confederações podem estar atrasadas no processo, mas estão mudando. O movimento é mundial, não é um fato isolado. O esporte tem uma cadeia vertical de hierarquia. Veio do COI, que fez sua agenda 2020 e está implementando e não consegue cumprir tudo ainda. É um processo gradual, que está sendo acelerado. Não vejo problema de adaptação em curto espaço de tempo para todos eles.

Você pretende mudar as peças que compõem o alto escalão do COB? 
É cedo e prematuro para fazer isso. Tenho que sentir. O que move o COB é a parte esportiva. E essa parte está funcionando perfeitamente. Tenho participado de algumas reuniões, onde apresentam projetos em andamento e futuros, e o plantel de colaboradores, funcionários, é da mais alta capacidade. Estão dando conta do recado. Não é porque mudou o presidente que vai mudar todos os demais. Necessário sendo, vai mudar, mas não é uma obrigação de nova gestão. A gestão muda mais em termos de atitude, de estatuto, que tem que ser rápido. Pediram 90 dias, eu quis em 45.

O Ministério do Esporte recebeu como prévia para 2018 um orçamento quase 82% abaixo do último ano. Até que ponto essa diminuição pode fazer o Brasil retroceder em resultados esportivos? 
Evidentemente, um recurso reduzido diminui suas possibiliddes, mas tenho ouvido do Ministro Picciani (Leonardo, Ministro dos Esportes) que ele está voltado e buscando uma solução para isso. Tenho informação que em muito breve haverá um pronunciamento a respeito desse corte no Ministério, que é grande, é grave, e ele vai apresentar algumas propostas de adaptação à situação. Inclusive, sobre o Bolsa Atleta, no dia 17 teremos uma Audiência Pública onde serão discutidos os critérios para a Bolsa Atleta. O governo quer resolver. Não é interessante ter essa imagem negativa atingindo o esporte. Nossos atletas merecem esse respeito.

Atrapalharia o planejamento do COB para Tóquio 2020? 
Sem dinheiro, você não tem tranquilidade. Mas, as Bolsas e esses contratos de fomento, elas são direcionadas aos atletas. Não impactam em confederações e COB. É o salário do atleta que ele aplica livremente. Ele vai sentir no bolso a diminuição do recurso. Ele não está vinculado a viagem, a plano de saúde, a treinamento. Isso é das confederações e COB. Não deixamos nenhum atleta fora de competição. Sugiro que eles estejam presentes nessa Audiência Pública.

Durante a sua gestão na presidência da CBJ, surgiram denúncias de compras irregulares de tatames e do aluguel com preços diferenciados do CT em Lauro de Freitas, na Bahia. O que você tem a dizer? 
Podem falar. Eu não tenho receio de telhado de vidro. Ele era da federação do Espírito Santo. Foi para a Confederação Brasileira de Judô. Depois da Sul-Americana, a Pan-Americana, agora para o COB. Ele só aumenta. Não tenho nada com relação a essas situações. Levantam papel e não levantam o contrário... Tanto é que não teve maior repercussão. Não tenho nenhum receio. Estou preparado para essas situações. No esporte estamos sujeitos a isso e sou muito consciente de onde estou caminhando. A questão de se linkar a situações anteriores, pessoas... Tenho fotografias ao lado do Lula, do Sérgio Cabral. Estava no mesmo ambiente.

O senhor tem recebido cobrança dos esportistas brasileiros? 
Só se começar agora. Quando dirigi a Confederação Brasileira de Judô, por quatro mandatos, até por necessidade de estruturação e criação, eu não tive nenhum tipo de atrito ou conflito com nenhum atleta do Brasil. Nenhum atleta da atualidade me procurou ou questionou. Até porque eu já sinalizei que vou chamá-los se eles não vierem. Vou buscar. Hoje é trabalhar com o que temos de concreto em prol das organizações, dos atletas, continuar esse processo de aproximação dos atletas, trazê-los para perto do COB é minha missão, o que vou tentar fazer de melhor.

Hoje o COB está suspenso pelo COI. Como está a conversa com a Comitê Olímpico Internacional para dar fim a isso?
Já temos pelo menos, há uns cinco dias ou mais, contato com eles. Não digo diário, mas sabem tudo que estamos fazendo, estamos em um caminho e processo natural para em um espaço curto termos a nossa conformidade de volta com o COI. Vamos pedir essa volta com base no que está acontecendo, a Assembleia que foi convocada para tratar desse assunto. A medida tomada, a comissão que irá revisar os estatutos. Na quinta-feira, teremos a primeira reunião. Já informamos a eles e ao Ministério do Esporte que em 45 dias teremos uma nova estrutura montada. São respostas imediatas a esses comentários. É provisório, eles foram claros nisso, e trabalhamos para que seja o mais rápido possível resolvido.

Pode ser que novos elementos e investigações envolvendo o esporte brasileiro apareçam. Caso o COB seja investigado e novas denúncias surjam, qual será sua ação? Dar respaldo a essas investigações? 
Claramente, espero que isso não ocorra. Eu não conheço motivo para tal. Mas, em ocorrendo, evidentemente que o COB está de portas e caixas abertas para a forma como quiserem conceituar a coisa. Não tenho o que esconder. E é resolver o mais rápido possível. Essa coisa de ficar sangrando não é comigo. Eu sou do esporte, fui esportista. Você entra em uma competição preparado para vencer. Esse é o objetivo. No meu esporte, o judô, a primeira coisa que você aprende é a cair. Não derrubar. Para levantar o mais rápido possível. Vamos em frente.

Vivemos na gestão Nuzman um fortalecimento do vôlei dentro do COB. Agora, está se criando uma "República do Judô". Esportistas e ex-esportistas com cargos no COB, no Ministério do Esporte e até na política. Como você vê isso? 
Nenhum deles foi indicado por mim ou por minha administração aqui. Todos já estavam em seus postos. Todos, merecidamente, com a competência de cada um, estão onde estão antes de eu estar aqui.

Você chegou a conversar com o Rogério Sampaio, agora Secretário Nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, e foi seu atleta em Barcelona 1992? 
O Rogério é um grande atleta e pessoa, de grande caráter, um medalhista de ouro na personalidade dele. Meu relacionamento com ele é do tatame. Tive a felicidade de ser o técnico dele em 1986, em Roma, em um Mundial sub-20, era um garoto. E nas Olimpíadas em Barcelona. E no Mundial onde ele mudou de categoria, em 1993. Meu relacionamento transcende. Mas sem a intimidade do dia a dia. É um grande profissional e estou muito feliz com ele lá.

O COB não renovou com patrocinadores e agora não recebe verbas do COI. Se essa sanção continuar até o fim do ano, até que ponto irá impactar no COB? 
O recurso do COI não é maior e nem próximo da Lei Agnelo Piva. Esse sim, é um recurso que garante o esporte brasileiro no momento. Foi o primeiro grande aporte de recursos do esporte brasileiro. Que facilitou o caminho para o que é hoje. Esse sim, não pode realmente faltar. É a mola que mantém funcionando o esporte brasileiro.

Você pretende fiscalizar melhor os recursos que são repassados às confederações?
Não se comunica de verdade, para quem é de direito, o que é feito no COB. Existe um programa aqui que é linkado diretametne com o Tribunal de Contas da União. Se ele quiser saber o que o atletismo recebeu esse mês, o que foi aplicado e quanto foi, é clicar e saber. Esse controle e informação existe. A confederação tem direito a R$ 2 milhões por ano, por exemplo. E como funciona. Você não recebe esse dinheiro de uma vez. É plano a plano. Prestação por prestação. Quando faltam 30 dias para vencer essa prestação, a confederação recebe um aviso eletrônico. Faltam 20 dias, 7 dias, 2 dias. E aí você não recebe mais. O que está faltando é comunicação. Queremos tornar mais visível sim. Tem controle sim. É imediato e sou a favor que os órgãos de controle continuem controlando. Nessa área de transparência, teremos ainda em outubro, um convite geral para quem divulga, jornalistas, mídias, para que entendam como funciona o COB. Falando inclusive na questão de dinheiro. Transparente. Falta essa comunicação.

Pegou uma batata quente? 
Não diria batata quente, mas é uma situação mais difícil que anteriormente. Exige um comprometimento, e sou compromissado com o que eu faço. Exige você ter planos de contigência para o que está acontecendo de emergência. Mas tenho a confiança, pela minha personalidade, que é realista, sou otimista e esperançoso, de que as coisas melhorem. Mas trabalho para isso, não fico só esperando.

É o seu grande desafio de vida? 
Na minha vida esportiva, é um grande desafio sim. Mas tenho certeza que a equipe é muito boa. Vou ter muitas ideias. Estou conversando com Ministério, com atletas, com as organizações desportivas, enfim. E não sou soberbo ao ponto de não aceitar sugestões que são boas e aplicáveis.

Até que ponto toda a situação envolvendo a prisão do Carlos Arthur Nuzman e a sanção do COI podem prejudicar a preparação esportiva brasileira para Tóquio 2020?
Se ficar do jeito que está, atrapalha. Evidente. Não vou mentir. Mas você precisa fazer diferente. E vamos fazer diferente para alcançar o resultado.

Muda algum planejamento do COB para os Jogos de Inverno de PyeongChang, em fevereiro do ano que vem? 
O que está planejado está previsto e orçado. Não altera. Na minha visão, os Jogos de Inverno não foram planejados esses meses. Foi planejado lá atrás. O que está planejado será cumprido. Seria bom para a autoestima do atleta que o Brasil chegasse lá sem essa sanção. Para o país. Vamos trabalhar para isso. Vai retirar, não sei. Mas na minha avaliação, tem toda a possibilidade. Não tem nada extremo.

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