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Para debatedores, turismo gastronômico pode ajudar o Brasil a superar crise econômica

Uma política externa voltada também à valorização do interior do país, com vistas ao desenvolvimento regional e ao combate às desigualdades. Foi o ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Senado
02/09/2021 às 12h30 Atualizada em 09/02/2023 às 05h01
Para debatedores, turismo gastronômico pode ajudar o Brasil a superar crise econômica
A Comissão de Relações Exteriores discutiu os ativos culturais do país, tidos como vitais para induzir o desenvolvimento e fomentar as exportações - Leopoldo Silva/Agência Senado

Uma política externa voltada também à valorização do interior do país, com vistas ao desenvolvimento regional e ao combate às desigualdades. Foi o que defendeu a presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senadora Kátia Abreu (PP-TO), nesta quinta-feira (2), em audiência pública que discutiu estratégias para expandir a gastronomia nacional. O tema é um dos eixos estruturantes do plano de trabalho do colegiado para o período 2020-2021 e compreende uma série de debates sobre as cinco regiões do Brasil, com foco na internacionalização de setores da economia criativa e aproveitamento das potencialidades locais. 

Kátia Abreu citou dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiros (Firjan), em 2018, segundo os quais a participação da indústria criativa no PIB do Brasil foi de 2,6%, gerando 837.206 empregos formais, o que equivale a 1,8% de toda a mão-de-obra nacional. A senadora observou que a pandemia de coronavírus resultou em grave impacto econômico sobre o setor, que teve perda de 458 mil postos de trabalho só em 2020. E falou que as autoridades precisam estar atentas à recuperação dessa cadeia e às necessidades das populações cujo sustento depende dos principais biomas do país. 

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Para Kátia Abreu, as novas políticas de desenvolvimento precisam propor “soluções inovadoras que compatibilizem proteção do meio ambiente com utilização inteligente da biodiversidade” e que promovam a melhoria das condições de vida e de trabalho das populações dessas localidades. 

 Depois de um ano de bloqueios induzidos pela pandemia, não poderia haver melhor momento para valorizar a economia criativa como vetor do desenvolvimento sustentável regional, por meio de sua internacionalização.  De 2019 a 2020, a participação do turismo no PIB nacional caiu 32,6%, passando de US$ 115,7 bilhões (7,7%) para US$ 78 bilhões (5,5%), havendo acompanhado tendência mundial no setor, cuja média global de queda foi de 49,1%  pontuou. 

Vivências

Eleito chef do ano pelo Guia Quatro Rodas em 2006, Alex Atala sugeriu que a sociedade dedique tempo e investimento para conhecer outras línguas, sabores, hábitos e culturas, com vistas a “dedicar pelo menos um terço desse saber no Brasil”. O especialista considerou que investir em cidadania ajuda a gerar valor sobre os alimentos, além de valorizar quem o produz. E apontou o cuidado com o meio ambiente e com o homem como fatores fundamentais para o crescimento da gastronomia nacional. 

 Mais brasileiros conhecem Miami [nos Estados Unidos] do que conhecem Manaus [no Amazonas]. É importante lembrar que cuidar da Amazônia não é só proteger o rio ou a floresta: é proteger o homem que vive dela. E a gastronomia pode ser uma ferramenta genial de auxílio e uma alavanca socioambiental dos povos originários. Grandes figuras deste mundo com quem tive a chance de estar me pediram para realizar o maior luxo da vida deles, que é poder passar dias numa tribo indígena  afirmou Atala. 

Saberes

Diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Alagoas e ex-ministro do Turismo, Vinicius Lages lembrou que a gastronomia é definida pela Unesco como um dos patrimônios imateriais da humanidade e que a Constituição Federal reconhece esses festivais e saberes culinários como ativos culturais. Ao elogiar a agenda da CRE, o debatedor ressaltou o desafio do país “para ser descoberto por ele mesmo”. E disse que o desenvolvimento do país requer investimentos em educação, cultura e valorização da identidade nacional, além do estabelecimento de metas de longo prazo, come melhoria da coordenação entre todos os atores, especialmente os do setor privado. 

— Se continuarmos sendo exóticos sobre nós mesmos e não nos conhecermos, não teremos condição de nos projetarmos diante do mundo de modo coerente. Portanto, essa agenda que integra o país busca superar desigualdades, passando pelas relações exteriores. Eu parabenizo [a comissão] também por isso e estou seguro de que sairemos desse debate com um bom encaminhamento para o futuro.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Augusto Pestana, defendeu a criação de programas que tragam jornalistas especializados e influenciadores estrangeiros para conhecerem as culturas tradicionais brasileiras, bem como “um plano ambicioso de promoção da gastronomia” inspirado em países como Espanha, França e Japão. Ele sugeriu também o fortalecimento das parcerias entre órgãos como o Itamaraty, Ministério da Agricultura, Embrapa e Sebrae “aproveitando o momento de retomada da economia no cenário pós-pandemia”. 

Kátia Abreu informou que a comissão vai realizar um estudo sobre as rotas turísticas da Amazônia partindo inicialmente da Europa, com vistas à divulgação da região no âmbito internacional. A senadora apontou ações como a busca de linhas de crédito para incentivo ao turismo regional, a criação de consultorias para empresas do setor e também disse ter a ideia de sugerir, junto ao governo e à iniciativa privada, a criação de um parque temático dentro da Amazônia, possibilitando o acesso aos saberes gastronômicos e sobre a fauna e a flora locais. 

Degustação

Durante a reunião, os participantes degustaram iguarias regionais do Norte como empadinha de carne de sol com purê de banana da terra e ceviche de pirarucu assado na palha de banana ao leite de coco de babaçu e cajuzinho do cerrado. Após a audiência pública, parlamentares e debatedores seguiram para um encontro gastronômico com outras comidas típicas da Região Norte no Restaurante dos Senadores, a convite de Kátia Abreu.

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