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Juristas ouvidos por membros da CPI apontam responsabilidade de Bolsonaro pelo agravamento da pandemia

Desrespeito afrontoso ao direito à saúde, agravamento deliberado de epidemia, violação das normas sanitárias e charlatanismo em torno de medicament...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Senado
15/09/2021 às 20h30 Atualizada em 10/02/2023 às 17h27
Juristas ouvidos por membros da CPI apontam responsabilidade de Bolsonaro pelo agravamento da pandemia
Integrantes da CPI da Pandemia ouvem, em teleconferência, parecer jurídico de Miguel Reale Junior para orientar o Relatório Final - Ariel Costa/Gab. Omar Aziz

Desrespeito afrontoso ao direito à saúde, agravamento deliberado de epidemia, violação das normas sanitárias e charlatanismo em torno de medicamentos sem eficácia comprovada foram alguns dos crimes mencionados pelo ex-ministro da Justiça e professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo, Miguel Reale Junior, na apresentação do parecer que sugere o indicamento do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Em videoconferência, realizada nesta quarta-feira (15), com integrantes da CPI da Pandemia e da comissão de juristas que produziu o parecer, Reale se declarou impressionado com o “conjunto da obra” do governo federal, que, em seu entendimento, seguiu uma lógica de “negacionismo absoluto” diante da pandemia de covid-19, tratando com frieza o sofrimento do povo.

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— O que se viu é que a Presidência se transformou em cúmplice do vírus para disseminá-lo, sem preocupação nenhuma, para salvar a economia, quando se sabe que as economias que estão em desenvolvimento e crescimento vertiginoso são as que combateram a disseminação – declarou Reale.

O jurista viu um “crime contra a humanidade” na crise dos hospitais em Manaus, na qual Bolsonaro, sob a orientação de um “ministério sombra”, revelado pelas investigações da CPI, teria deliberadamente submetido a população a um programa sistemático e generalizado “destinado a lhe impor sofrimento”. Reale apontou o favorecimento do governo federal a “intermediações suspeitas” em torno de vacinas não aprovadas e também saudou a CPI por ter impedido que contratos fraudulentos pudessem ter sido levados a termo.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), considera o parecer fundamental para “calar fundo na sociedade” ao esclarecer os tipos penais a serem apontados no relatório da CPI e encaminhados ao Procurador-Geral da República. Ele acusou a Câmara dos Deputados de omissão por arquivar seguidos pedidos de impeachment, e sugeriu a atualização da lei, sancionada em 1950, que rege o afastamento do presidente da República.

— Talvez essa CPI crie circunstância favorável à revisão e à definição de alguns critérios de tramitação legislativa do processo de impedimento – pontuou.

Em entrevista coletiva ao fim da audiência da CPI desta quarta-feira, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) opinou que o parecer dos juristas não se baseia em provas, e a CPI não encontrou uma única evidência de que o Ministério da Saúde tenha dado vantagem indevida a quem quer que seja.

— O alvo de boa parte dos integrantes da CPI sempre foi o Presidente da República. Não importa se tem prova ou não tem prova: a questão é desgastar o presidente e fazer sangrar sua imagem – declarou, contrastando o suposto “jogo pré-eleitoral” contra Bolsonaro com a falta de interesse da CPI em investigar gestores dos estados e municípios.

Também participaram da videoconferência o presidente e o vice-presidente da CPI, senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) – autor do requerimento do relatório – e Simone Tebet (MDB-MS). Durante a sessão de hoje da CPI, Randolfe anunciou que o parecer dos juristas será discutido nesta quinta-feira (16) com o grupo liderado pela professora Deisy Ventura, na sexta-feira (17) com o Grupo Prerrogativas, e na segunda-feira (20) com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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