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Especialistas apontam desvalorização do real e falta de estoques reguladores entre as causas da inflação

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados Para Guilherme Melo (no telão), alta de juros vai reduzir o crescimento O professor de Economia da Unicamp Gui...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
29/09/2021 às 15h15 Atualizada em 06/02/2023 às 15h44
Especialistas apontam desvalorização do real e falta de estoques reguladores entre as causas da inflação
Para Guilherme Melo (no telão), alta de juros vai reduzir o crescimento - (Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados)

O professor de Economia da Unicamp Guilherme Melo disse em audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (29), que o Banco Central erra ao não intervir para conter a especulação cambial que tem desvalorizado o real. Segundo ele, a moeda brasileira faz parte do segundo maior mercado de derivativos do mundo, o que indica uma ação especulativa. Guilherme lembrou que a alta do dólar tem impacto direto na inflação.

O professor afirmou também que houve um equívoco do Banco Central ao reduzir a taxa de juros em 2020 na tentativa de estimular uma economia parada por causa da pandemia. Agora, por causa da inflação, as taxas de juros voltaram a aumentar. “E o que faz o Banco Central? Corre atrás do prejuízo. Começa a aumentar de maneira célere a taxa de juros. Só que esse aumento da taxa de juros é incapaz de resolver as causas estruturais da inflação brasileira”, disse.

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Segundo Guilherme Melo, a alta dos juros agora vai ter o efeito de reduzir ainda mais o crescimento econômico para 2021, porque vai ficar mais atrativo investir em títulos públicos.

Preços
Sobre a inflação, o professor da Unicamp afirmou que a alta do dólar e dos combustíveis tem feito aumentar o índice de difusão, que é a quantidade de produtos que aumentam de preço de uma pesquisa para outra. Hoje ele estaria em 72%. Guilherme ainda criticou o governo por, segundo ele, fechar 27 armazéns públicos em 2019. Ele explicou que os estoques reguladores fazem falta para conter os preços.

Guilherme Melo também não concorda com a política da Petrobras, que repassa todos os custos externos para os preços sem levar em conta os seus custos internos. Segundo ele, a Petrobras é tratada como uma pequena empresa exportadora de óleo cru, mais voltada para os interesses dos acionistas. Já o deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP) defendeu a gestão empresarial da Petrobras para evitar que a estatal tenha prejuízos, como no passado.

 

 

Salários
Para a supervisora da Área de Preços do Departamento Sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Patricia Costa, os preços mudaram de patamar entre 2019 e hoje, mas os salários não acompanharam. Enquanto a inflação medida pelo IPCA variou 9,68% entre setembro de 2020 e agosto de 2021, o gás de cozinha variou 31,58%, e o etanol, 61,89%. Na pesquisa de preços da cesta básica em 17 capitais, o Dieese verificou aumento de preços em 2020 que foi de 17,76% em Curitiba e até 32,89% em Salvador.

Entre os itens da cesta básica, Patricia Costa destacou que, no município de São Paulo, o preço do óleo de soja subiu 98,5% entre março de 2020 e agosto de 2021. A carne bovina variou 46,51%. A economista também criticou a falta de estoques reguladores que estariam zerados para vários produtos desde 2017.

Falta de confiança
O deputado Paulo Ganime (Novo-RJ) acredita que a inflação está relacionada à falta de confiança na gestão do País e que isso deve ser sanado com reformas e ajuste fiscal. Ganime disse que também houve um efeito na inflação por falhas na execução do auxílio emergencial. “E a gente viu sim, em alguns casos, preços aumentando em alguns produtos de forma exponencial por efeito também do auxílio emergencial. Mais uma vez: necessário, importante; porém, sendo distribuído de forma incorreta”.

O deputado Enio Verri (PT-PR), que sugeriu a audiência, disse que foram convidados para participar o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk; e o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, mas os representantes do governo justificaram a ausência.

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