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Debate sobre Bicentenário cobra revisão histórica sobre Independência

Na primeira etapa do seminário "Bicentenário da Independência: legado e desafios", nesta segunda-feira (5), no Rio de Janeiro, debatedores convidad...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Senado
05/09/2022 às 21h15 Atualizada em 03/02/2023 às 15h59
Debate sobre Bicentenário cobra revisão histórica sobre Independência
Jean Paul (2º à esq.) e Randolfe (2º à dir.) participaram do seminário, sediado no Clube de Engenharia, no Rio - Agência Senado

Na primeira etapa do seminário "Bicentenário da Independência: legado e desafios", nesta segunda-feira (5), no Rio de Janeiro, debatedores convidados cobraram revisão histórica sobre a Independência e o papel da resistência popular no processo. O seminário é promovido numa parceria da comissão especial curadora O Senado Federal e os 200 anos da Independência do Brasil com o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep) e o Clube de Engenharia, que sediou o debate.

Na abertura do evento, o presidente do Ibep, Francis Boghossian, salientou que a independência do Brasil é um processo em curso, tendo como objetivo a soberania nacional e a real emancipação do povo.

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— A construção de uma nação independente não foi uma obra à toa. Foi o resultado de um processo de luta e resistência. O valor do nosso passado é importantíssimo para que se tenha um futuro melhor.

Presidente da comissão do bicentenário do Senado Federal, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) comemorou o esforço para repatriação dos panfletos da Independência reunidos pelo historiador e diplomata Oliveira Lima (1867-1928) que se encontravam na biblioteca da Universidade Católica de Washington (Estados Unidos): 21 deles estão reunidos no livro Vozes do Brasil: a linguagem política na Independência (1820-1824).

Randolfe mencionou as circunstâncias peculiares que fizeram o Brasil adquirir soberania antes de ser independente.

— Os eventos que se seguem à morte de D. Maria I e a coroação de D. João, tudo isso na antiga colônia: imagine o incômodo que isso causa nas Cortes em Lisboa.

O senador explicou que, dentre os projetos heterogêneos de independência, sobressaiu o plano liderado por José Bonifácio e Maria Leopoldina que assegurou a manutenção da monarquia e a unidade nacional. Ao cobrar para os próximos 200 anos um Brasil em que a democracia seja “regra, não exceção”, ele associou ao fascismo a apropriação dos símbolos nacionais por grupos que classificou “facção política”.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) criticou a “timidez” no registro da participação popular na história e citou a importância do Parlamento, nos anos de consolidação da Independência, como espaço de repercussão da insatisfação do povo com o autoritarismo da Coroa. Ele descreveu a história do Brasil como uma alternância de avanços e retrocessos, mas se disse otimista:

— Que a gente, nos próximos 200 anos, tenha condição de fazer um balanço positivo: “Olhe aonde a gente chegou aos trancos e barrancos: somos uma grande nação” — avaliou.

O professor e historiador da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Manuel Domingos, que participou por acesso remoto, questionou o conceito de pátria, que dificulta a compreensão da sociedade na qual os brasileiros se integram, e condenou a “vigarice” em torno do apelo emocional despertado pelo termo.

— As maiores mortandades modernas, ocorridas na 1ª e na 2ª Guerra Mundial, foram rigorosamente em nome da pátria.

O vice-presidente do Ibep, Lincoln Penna, contestou a narrativa “branca e europeia” da Independência e cobrou uma revisão histórica capaz de incorporar a resistência dos negros e dos povos originários.

Em novembro serão promovidos outros dois debates, nos dias 7 e 12, também no Clube de Engenharia.

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