
As três principais potências econômicas do médio-norte mato-grossense — Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum — fecharam o último período com um saldo negativo na geração de empregos com carteira assinada. Os dados, extraídos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), acendem um sinal de alerta para o setor produtivo, embora economistas apontem para um movimento de ajuste sazonal.
A queda no número de postos de trabalho interrompe uma sequência de crescimento acelerado que as cidades vinham apresentando nos últimos anos. O fenômeno atinge diretamente o comércio e o setor de serviços, que orbitam em torno da pujança do agronegócio.
A retração não foi uniforme, mas os setores que mais sofreram foram a construção civil e a agroindústria. Em Lucas do Rio Verde, o ajuste reflete o término de grandes obras de infraestrutura e o período de entressafra, que naturalmente reduz a demanda por mão de obra temporária nas unidades de armazenamento e logística.
Em Sorriso, a capital nacional do agronegócio, o saldo negativo também foi sentido no comércio varejista, que tradicionalmente reduz o quadro de funcionários após as datas festivas de final de ano e o início do planejamento para a nova safra.
Especialistas consultados pelo portal MT Agora explicam que essa oscilação é comum em regiões onde a economia é altamente dependente das commodities.
Calendário Agrícola: A transição entre safras gera um "vácuo" na contratação de serviços de apoio.
Custo Operacional: O aumento nos custos de produção e a flutuação dos preços dos grãos fazem com que o empresário do médio-norte adote uma postura de cautela, segurando novas contratações ou realizando cortes estratégicos.
Apesar do saldo negativo momentâneo, a expectativa para o decorrer de 2026 ainda é de recuperação. A continuidade das obras de duplicação da BR-163 e a instalação de novas plantas industriais de processamento de milho e soja na região devem, no médio prazo, reverter esse cenário e voltar a atrair trabalhadores de outros estados.
A manutenção da liderança de Mato Grosso na produção nacional de grãos garante que, mesmo com quedas pontuais, o eixo Sorriso-Lucas-Mutum continue sendo um dos mercados de trabalho mais resilientes do país.