
Quem conhece a BR-163 há mais de uma década sabe que o balanço de um feriado prolongado costumava ser escrito com sangue. Falar em "zero mortes" na principal artéria de Mato Grosso entre a virada do ano e o primeiro fim de semana de 2026 soaria como utopia há três anos. Mas os números estão aí, e eles não mentem: a rodovia que já foi apelidada de "Corredor da Morte" está, finalmente, entregando vida.
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O que mudou? A resposta está no canteiro de obras que se tornou o trecho mato-grossense desde que o Estado, sob o comando de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, assumiram a rédea da concessão. A Nova Rota do Oeste deixou de ser uma empresa que apenas arrecadava pedágio para se tornar uma operadora de infraestrutura real. Onde antes havia buraco e incerteza, hoje há asfalto novo, sinalização e, principalmente, a presença ostensiva de socorro.
Claro, a rodovia ainda não é perfeita, e o comportamento do motorista continua sendo o maior desafio. Atender um carro com problema a cada 12 minutos é prova de que muita gente ainda viaja "na fé", ignorando a manutenção básica. Ter quase 10% dos chamados por pane seca — a velha e evitável falta de combustível — mostra que a imprudência humana é resiliente.
Mas aí entra a diferença de uma gestão eficiente: mesmo com motoristas relapsos, a rodovia estava preparada. Foram 170 objetos retirados da pista e 51 atendimentos médicos realizados antes que o mal-estar virasse tragédia. A estrutura de apoio agiu como uma rede de segurança que impediu que os 43 acidentes registrados se transformassem em velórios.
O sucesso deste início de 2026 é o maior troféu que o governo estadual pode exibir. É a prova de que, quando se tira a ideologia da frente e se coloca a engenharia e o caixa em ordem, o resultado aparece na porta das famílias. Cada quilômetro duplicado em direção a Lucas do Rio Verde e Sinop é uma chance a menos de uma colisão frontal, o tipo de acidente que mais matava por aqui.
A Trincheira hoje faz um reconhecimento: o balanço da Nova Rota é a vitória da técnica sobre o abandono. Que esse "zero mortes" se torne o novo padrão e que o motorista entenda que, se a rodovia está fazendo a parte dela, ele precisa fazer a dele — começando por olhar o ponteiro do combustível e o estado dos pneus antes de sair de casa.
