
Vinte e cinco anos. Um quarto de século. Esse foi o tempo que dezenas de famílias do antigo "Recanto dos Macucos" esperaram para poder dizer, com um papel na mão: "Isso aqui é meu". A entrega das primeiras 78 matrículas do agora oficializado Bairro Colina Verde, nesta quinta-feira (15), não é apenas uma cerimônia bonita para foto oficial. É a demonstração de que vontade política e competência técnica superam qualquer trava burocrática.
O que muita gente não entende — ou finge não entender — é que a administração pública é um monstro burocrático. Regularizar um bairro que nasceu torto, sem planejamento, é como desenrolar um novelo de arame farpado. Existem processos ambientais, jurídicos e cartoriais que fariam qualquer gestor mediano desistir na primeira pilha de papel. É mais fácil jogar asfalto em cima e fingir que está tudo bem do que brigar pela segurança jurídica do morador.
Mas gestão séria não escolhe o caminho fácil.
O prefeito Miguel Vaz e sua equipe decidiram, como eu sempre digo, pegar o boi pelo chifre. Encararam o problema jurídico de frente, sanearam as pendências e transformaram uma ocupação histórica em um bairro de verdade, com CPF e endereço.
Não se trata apenas de um documento. Quem recebe essa matrícula ganha cidadania. O imóvel valoriza instantaneamente, o proprietário pode buscar financiamento para reformar, e a prefeitura finalmente tem o respaldo legal para investir pesado em infraestrutura definitiva. É o ciclo do desenvolvimento girando como deve ser.
No mundo da política, é comum ver "salvadores da pátria" prometendo resolver tudo na canetada. A realidade, porém, premia quem tem paciência, técnica e vontade política. O Colina Verde esperou 25 anos por alguém que não tivesse medo da burocracia.
Para quem critica a demora dos processos públicos, a resposta está dada: demora porque precisa ser feito certo para não ser derrubado depois. E o que importa, no final do dia, é quem tem a competência de começar, aguentar a pressão e terminar.
Hoje, 78 famílias de Lucas do Rio Verde dormem proprietárias de fato e de direito. E isso, meus caros, vale mais que qualquer discurso de palanque.
Contra fatos, não há argumentos. Aos que torcem contra, a melhor resposta é o resultado. Aos que trabalham, o reconhecimento da história.