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Janeiro Branco: 45% dos médicos relatam transtornos mentais

Dados indicam que a saúde mental dos médicos permanece como fator estrutural do sistema de saúde, com reflexos éticos, assistenciais e jurídicos.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
27/01/2026 às 15h08
Janeiro Branco: 45% dos médicos relatam transtornos mentais
Shutterstock

A campanha Janeiro Branco reacendeu o debate sobre saúde mental no exercício da medicina. Dados do estudo Qualidade de vida dos médicos 2025, realizado pela Afya entre janeiro e abril do ano passado, apontam que 45% dos médicos brasileiros apresentam ao menos um transtorno mental diagnosticado, como ansiedade, depressão ou burnout. O levantamento contou com 2.147 médicos respondentes e repete o patamar observado no pós-pandemia, em 2022, representando um aumento de 13% em relação à pesquisa realizada entre julho e agosto de 2024.

Entre os transtornos mais recorrentes, cerca de 40% dos profissionais relataram diagnóstico de ansiedade, sendo que 23,3% afirmaram que os sintomas surgiram nos últimos 12 meses. A depressão aparece em segundo lugar, com 37,6% dos médicos diagnosticados, enquanto o burnout ocupa a terceira posição. No caso específico do burnout, o estudo identificou uma diferença entre diagnóstico e sintomas: 5,7% declararam possuir diagnóstico formal, enquanto 32,6% relataram sintomas compatíveis, sem busca por avaliação profissional.

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Os dados indicam maior impacto entre mulheres e médicos mais jovens. Entre as médicas, a prevalência de transtornos mentais chegou a 51,8% em 2025, frente a 46,8% em 2024. Na faixa etária de até 35 anos, aproximadamente metade dos profissionais apresenta diagnóstico, enquanto entre médicos com 56 anos ou mais, 82% não relataram transtornos. O levantamento também mostrou que seis em cada dez médicos não se declaram satisfeitos com a própria saúde, e cerca de 25% classificam sua qualidade de vida como "ruim" ou "muito ruim".

No contexto jurídico, especialistas avaliam que a saúde mental dos profissionais deve ser observada como elemento da segurança assistencial. A advogada Fabiana Attié, especialista em direito médico, afirma que "a saúde mental do profissional da saúde precisa ser compreendida como parte da segurança assistencial, pois jornadas exaustivas e sobrecarga emocional ampliam riscos assistenciais e a exposição jurídica".

Para o advogado Helder Lucidos, também especialista em direito médico, a análise da responsabilidade civil deve considerar o contexto de trabalho. "Condições estruturais, organização do serviço, protocolos disponíveis e registros de jornada influenciam a avaliação técnica das demandas judiciais, sem afastar a responsabilização quando há falha comprovada", esclarece.

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