
A Inteligência Artificial (IA) pode acelerar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas sua disseminação sem parâmetros éticos e acesso equilibrado corre o risco de ampliar desigualdades. O alerta aparece na página 11 do relatório "Technology and Innovation Report – Inclusive Artificial Intelligence for Development" - Tecnologia e Inovação – Inteligência Artificial Inclusiva para o Desenvolvimento, em português, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que examina impactos e desafios da governança global da tecnologia.
Na página 17, o documento aponta que o avanço da IA está concentrado em um número restrito de empresas e economias desenvolvidas. Ao mesmo tempo, países de renda média e baixa enfrentam deficiências em infraestrutura digital, como conectividade e capacidade computacional, o que pode aprofundar assimetrias caso não haja investimentos estruturais.
Os efeitos sobre o trabalho também entram no radar. Conforme a página 23, a tecnologia tende a alcançar grande parte das ocupações, com potencial de elevar a produtividade, mas igualmente de provocar reconfigurações de funções. Sem políticas robustas de qualificação e atualização profissional, a transição pode ampliar vulnerabilidades.
Já na página 37, o relatório identifica três vetores estratégicos para uma inserção mais equilibrada: infraestrutura, dados e competências. Esses elementos são apresentados como bases para que as nações não apenas utilizem sistemas inteligentes, mas construam capacidade própria de inovação e desenvolvimento.
Para Daniel Maximilian da Costa, fundador e principal executivo do Latin American Quality Institute (LAQI), o setor empresarial tem responsabilidade direta nesse processo. "A Inteligência Artificial não pode ser tratada apenas como vantagem competitiva. Ela precisa estar alinhada a uma estratégia de desenvolvimento que reduza desigualdades, fortaleça competências locais e amplie acesso à tecnologia. O mundo corporativo deve assumir protagonismo responsável, investindo em qualificação, infraestrutura e governança ética, para que a inovação gere valor econômico, mas também impacto social positivo e duradouro", afirma.