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Chuvas implacáveis travam reta final da colheita da soja e acendem alerta para o milho safrinha em Mato Grosso

Com grãos brotando nas vagens e atoleiros nas estradas, produtores enfrentam prejuízos milionários e temem multas contratuais; plantio da segunda safra já perdeu a janela ideal

Redação
Por: Redação Fonte: Robson Alex - MT Agora
27/02/2026 às 18h13 Atualizada em 27/02/2026 às 18h26
Chuvas implacáveis travam reta final da colheita da soja e acendem alerta para o milho safrinha em Mato Grosso
Foto: Aprosoja

O clima, que no início da temporada trouxe otimismo ao campo, transformou-se no maior adversário do produtor rural mato-grossense nesta reta final da safra 2025/26. O excesso de chuvas registrado nas últimas semanas paralisou o encerramento da colheita da soja, atingindo em cheio o coração produtivo do estado, o que inclui diretamente as propriedades do Médio-Norte e da região de Lucas do Rio Verde.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado conseguiu ultrapassar a marca de 65% da área colhida até o dia 20 de fevereiro. No entanto, nas últimas semanas, o ritmo das máquinas despencou. O resultado nas lavouras que ainda aguardam a colheita é visível e preocupante: a umidade extrema está fazendo com que os grãos brotem ainda nas vagens, elevando os índices de avaria e os descontos na hora da entrega nos armazéns.

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Para o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, a situação exige cautela do setor. “A colheita segue em ritmo lento, e a Aprosoja MT continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”, afirmou. A gravidade é tamanha que municípios do estado, como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia, já decretaram situação de emergência.

O desafio da logística e o risco de "Washout"
Mesmo quando o produtor consegue uma rara janela de sol para colocar as colheitadeiras em campo, o transporte até os silos torna-se uma segunda batalha. O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, descreve o gargalo logístico que vem isolando as propriedades: “Mesmo que abra o sol e você consiga colher, às vezes não tem estrada para chegar até o armazém. As estradas vão formando buracos e atoleiros e em poucas horas se tornam intransitáveis”.

A consequência desse atraso chega pesado no bolso. Além da perda de qualidade — “Cada dia que passa, os descontos vão aumentando, a soja vai estragando”, alerta Gilson —, o agricultor enfrenta o risco iminente de washout. Essa cláusula contratual prevê duras liquidações financeiras caso o produtor não consiga entregar o volume de soja compromissado no prazo estabelecido, algo fora do seu controle no cenário atual.

Efeito dominó: A janela do milho se fechou
A impossibilidade de retirar a soja do campo gerou um atraso em cadeia, impactando diretamente o calendário do milho de segunda safra. Em condições normais, o plantio já deveria estar caminhando para a finalização, a fim de garantir o desenvolvimento da planta antes do período de seca.

“Acredito que a janela do milho já foi. O ideal seria plantar até o dia 15 ou 20 de fevereiro e ainda temos muito milho a ser plantado, porque não se consegue colher a soja", lamenta Gilson Antunes de Melo. Apesar do risco climático assumido ao semear o milho fora da época ideal, a prioridade nas fazendas não muda. "Mas a preocupação maior do agricultor é a soja. É ela que paga a conta, é a que dá sustentabilidade ao produtor”, concluiu o representante.

Enquanto olham para o céu à espera de tréguas pontuais, os produtores locais mobilizam frotas e equipes 24 horas por dia, tentando salvar o que resta de uma safra que testou, como poucas, a resiliência do agronegócio mato-grossense.

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