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Delegacia de Sorriso vira epicentro de escândalos e Governo exonera chefe da unidade após estupro de detenta

Queda do comando ocorre em meio à prisão de investigador por violência sexual comprovada por DNA e ao vazamento de mensagens que expõem suposta cultura de tortura

Redação
Por: Redação Fonte: MT Agora
13/03/2026 às 22h54
Delegacia de Sorriso vira epicentro de escândalos e Governo exonera chefe da unidade após estupro de detenta

O Governo de Mato Grosso oficializou a exoneração do delegado titular da Polícia Civil de Sorriso, em uma medida que reflete a gravidade da crise institucional instalada na unidade de segurança do município. A portaria, publicada no Diário Oficial do Estado, formaliza a retirada do chefe da delegacia do seu posto de comando logo após uma sequência de polêmicas e crimes que abalaram a confiança pública na corporação.

Embora a Diretoria da Polícia Civil venha tratando publicamente a mudança como uma "readequação administrativa", a queda do delegado ocorre no epicentro de um dos maiores escândalos recentes da segurança pública mato-grossense, marcado por violência sexual, abuso de autoridade e graves desvios de conduta de agentes sob sua supervisão.

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O estupro e a prova irrefutável

O estopim para a intervenção drástica no comando da delegacia foi o caso aterrador envolvendo uma mulher que estava presa preventivamente na unidade. Ela denunciou ter sido estuprada repetidas vezes por um investigador plantonista dentro da própria delegacia. Para garantir o silêncio da vítima, o agressor utilizou de terror psicológico, ameaçando de morte a filha da mulher.

A materialidade do crime foi confirmada de forma inquestionável pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). O exame de DNA comprovou a conjunção carnal e a presença do material genético do investigador. Diante das provas cabais, o policial civil teve a prisão preventiva decretada, foi indiciado e tornou-se réu na Justiça. Ele segue detido e afastado de todas as suas funções.

O abismo das mensagens

A prisão do investigador, no entanto, funcionou como um gatilho para a revelação de um cenário estrutural ainda mais sombrio. Logo após o caso de estupro vir à tona, vazaram capturas de tela de um grupo de WhatsApp composto por policiais civis lotados na delegacia de Sorriso.

As mensagens, que rapidamente passaram a ser investigadas pela Corregedoria, revelaram um ambiente de extrema misoginia e indícios de crimes sistemáticos. Nos diálogos, agentes de segurança pública faziam comentários depreciativos sobre mulheres e discutiam abertamente a prática de agressões físicas e tortura contra suspeitos levados à delegacia para forçar confissões ou castigá-los.

Reestruturação obrigatória

A exoneração do delegado-chefe pelo alto escalão do Estado é vista nos bastidores como uma manobra inevitável para tentar estancar o profundo desgaste da instituição. Mais do que uma simples troca de cadeiras, a medida visa garantir a lisura e a imparcialidade das investigações conduzidas pela Corregedoria-Geral.

A cúpula da Segurança Pública de Mato Grosso tem agora o desafio de promover uma limpeza ética e operacional na delegacia de Sorriso, identificando e punindo não apenas os executores dos crimes, mas também investigando se houve omissão ou conivência por parte da chefia diante da cultura de abusos instalada no local.

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