
O Fórum de Economia e Desenvolvimento Institucional do LIDE Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (14), no auditório da Fatec/ Senai, em Cuiabá, reuniu lideranças políticas, empresariais e especialistas para discutir os rumos da economia brasileira e os desafios para o crescimento sustentável.
Com o tema: “Crescimento sustentável depende de instituições sólidas”, a iniciativa contou com a parceria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que teve papel fundamental na realização do evento, reforçando a integração entre o poder público e o setor produtivo na construção de soluções para o desenvolvimento do estado.
Para debater sobre o cenário macroeconômico brasileiro, estabilidade institucional, ambiente de negócios, oportunidades de investimento e crédito, além do protagonismo de Mato Grosso na economia nacional e sua inserção no contexto global, participam do encontro nomes de relevância nacional, como o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, ex-vice-presidente da República, senador Hamilton Mourão (Republicanos), os ex-ministros da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadore Carlos Fávaro (PSD) e Roberto Rodrigues e o deputado federal Zé Trovão (PL), além de representantes da iniciativa privada.
O presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos) enfatizou que a parceria com o LIDE Mato Grosso, além de promover o debate e aproximar as instituições, debate as ações estratégicas que não nascem do improviso.
“Elas são construídas a partir de diálogo qualificado, escuta ativa e visão de longo prazo. É exatamente isso que este espaço representa. Mato Grosso já não é apenas uma potência do agronegócio. O estado já demonstrou sua força como líder nacional na produção agropecuária, mas hoje avança para um novo patamar: somos protagonistas de uma economia que se diversifica, incorpora tecnologia, fortalece a logística, amplia a sustentabilidade e se conecta cada vez mais ao mercado global”, discursou, ao acrescentar que o estado responde por aproximadamente 15% da produção nacional de grãos, mesmo representando pouco mais de 2% da população brasileira, um dado que evidencia a alta produtividade.
O deputado Wilson Santos (PSD), um dos palestrantes do evento, destacou que Mato Grosso vive um momento decisivo e precisa consolidar sua transição econômica.
“Não somos mais uma economia exclusivamente primária, mas ainda não atingimos o patamar da industrialização. Mato Grosso não pode ficar eternamente um produtor de commodities. Isso gera menos emprego, isso gera menos capital. Nós temos que avançar novas etapas do processo econômico. O próximo passo é a indústria. Já temos bons exemplos, como o etanol de milho, o etanol da cana e o processamento de carnes, mas precisamos consolidar esse processo industrial e avançar ainda mais”, afirmou o deputado.
Ressaltou que há matéria-prima abundante, energia, mão de obra que pode ser capacitada e linhas de financiamento disponíveis em Mato Grosso e que o fórum é necessário para debater novos rumos.
“A reforma tributária vai extinguir os incentivos fiscais a partir de 2033. Por isso, esse seminário é importante para definir os caminhos que Mato Grosso deverá seguir”, disse Wilson Santos.
O deputado federal Zé Trovão analisou o cenário econômico nacional e os desafios enfrentados pelo setor produtivo, especialmente diante da carga tributária e da necessidade de fortalecimento da atividade empresarial no país.
“O Brasil precisa olhar com mais atenção para quem produz, para quem gera emprego e sustenta a economia. Não é possível avançar com uma carga tributária tão pesada e com tanta insegurança para o setor produtivo. Precisamos de um ambiente mais equilibrado, que incentive o crescimento e valorize o empreendedor”, disse o federal.
LIDE Mato Grosso- O presidente do LIDE Mato Grosso, jornalista Igor Taques, destacou que o fórum foi pensado para gerar propostas concretas a partir do diálogo entre empresários e o poder público.
Informou que a carga tributária é um dos temas centrais do evento por afetar todos os brasileiros, especialmente a classe empresarial, que vem se queixando do excesso de tributos.
“Objetivo é fazer um equilíbrio de ideias, buscando encontrar soluções ou pelo menos entendimentos para planejar os próximos anos de Mato Grosso. A parceria com a Assembleia Legislativa é justamente para que desse debate surjam ideias que possam se transformar em projetos de lei, melhorando o ambiente jurídico, o cotidiano do cidadão e o ambiente corporativo”, afirmou Taques.
O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), Silvio Rangel, destacou entraves que ainda limitam o crescimento industrial.
“Nós temos desafios importantes para o desenvolvimento do Estado, principalmente quando falamos em industrialização. A questão da energia é um gargalo relevante. Ainda temos regiões com linhas monofásicas e precisamos de investimentos para melhorar a transmissão. Também temos o desafio da mão de obra, e a Fiemt tem trabalhado fortemente na qualificação por meio do Sesi e do Senai”.
Também alertou sobre a reforma tributária. “Após 2032, com o fim dos incentivos fiscais, teremos que pensar o estado de forma diferente, buscando alternativas para manter a competitividade. Mato Grosso é uma potência do agro, mas chegou a hora da industrialização. Precisamos planejar o estado pensando em 2040 e 2050, com foco na verticalização e agregação de valor”, disse Rangel.