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Rio abre agenda de seminários municipais de comunidades quilombolas

Ideia é cobrir todo o estado do Rio com esses encontros municipais

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
30/01/2023 às 17h30 Atualizada em 08/02/2023 às 23h23
Rio abre agenda de seminários municipais de comunidades quilombolas

A capital fluminense foi sede hoje (30) do 1º Seminário Municipal das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro, na Biblioteca Parque Estadual, situada na região central da cidade. O evento deu início a uma série de encontros que ocorrerão durante todo o ano nas cidades fluminenses onde existam agrupamentos quilombolas.

Segundo a presidenta da Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj), Bia Nunes, a deliberação foi tomada nos dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, para realização de seminários em todas as cidades onde houvesse uma comunidade quilombola. “Nós começamos pela capital. E para agregar e enriquecer o seminário, conseguimos trazer a parceria das meninas que apresentam a cartografia dos quilombos”, disse em entrevista à Agência Brasil.

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Durante o evento, foi lançada a Cartografia dos Quilombos Cafundá-Astrogilda, Camorim e Dona Bilina. Bia Nunes destacou a importância da cartografia, que faz a apresentação histórica, geográfica e cultural dos quilombos. “Das sete comunidades aqui da capital, três estão sendo agraciadas com o lançamento da cartografia.”

Bia Nunes, presidente da Acquilerj, fala durante o 1º Seminário com as Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro -Tânia Rêgo/Agência Brasil
Bia Nunes, presidente da Acquilerj, fala durante o 1º Seminário com as Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro -Tânia Rêgo/Agência Brasil

Distorção

Bia explicou que as comunidades fluminenses foram convidadas a trazer a narrativa delas, porque considera que ainda existe uma desconfiança "muito grande da própria sociedade [em relação] às questões dos quilombos”. “Existe uma distorção no entendimento do que realmente significam as comunidades quilombolas. A gente está percebendo muito isso. As pessoas confundindo de que forma se dá o processo desse autorreconhecimento quilombola. Então, nós entendemos a necessidade de colocar as comunidades para dialogar com a sociedade e o Poder Público, tanto para reivindicar políticas públicas, como para fazer articulação e levar ao conhecimento a sua própria narrativa.”

A cartografia contribui muito para as falas e pautas das comunidades quilombolas, destacou a presidenta da Acquilerj. Por meio da cartografia social, verificou-se, por exemplo, que é no maciço da Pedra Branca, localizado em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, em que está o território das famílias afrodescendentes que conformam o Quilombo Cafundá-Astrogilda, ao qual se chega pelo bairro de Vargem Grande. Fazem parte dessa comunidade quilombola as famílias Lacerda Drumond, Pereira, Alves de Andrade, Martins, Cardia, Rodrigues, Mendez e Santos Mesquita, entre outras que se distribuem geograficamente em núcleos parentais que se misturam. As informações são da associação AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Também em Jacarepaguá se encontra a Comunidade Remanescente de Quilombo do Camorim. Por estar dentro do Maciço da Pedra Branca, o bairro do Camorim é uma das portas de acesso ao Parque Estadual da Pedra Branca. A certificação identificando a área como território quilombola foi emitida pela Fundação Cultural Palmares em 31 de julho de 2014. Do mesmo modo, o Quilombo Dona Bilina, em Campo Grande, resultou da implantação do Parque Estadual da Pedra Branca, tendo sido certificado em 14 de fevereiro de 2017. Parteira e rezadeira, Dona Bilina foi uma importante personagem histórica da região, oriunda do Morro dos Caboclos, que compreende a área quilombola.

Agenda

O próximo seminário está agendado para o mês de abril, no município de Magé, na Baixada Fluminense, onde existem três comunidades remanescentes dos quilombolas: Feital, Bongaba e Maria Conga. A ideia é cobrir todo o estado com esses encontros municipais, este ano, de três em três meses ou de quatro em quatro meses, abrangendo a Região dos Lagos e Costa Verde, e deixando por último as regiões mais distantes do Norte e Noroeste do estado e do Médio Paraíba. “Essas serão as duas últimas”, apontou Bia.

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