
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou a abertura de uma investigação criminal contra o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O parlamentar é alvo de uma petição do Ministério Público do Estado (MPMT) que apura o suposto uso irregular de verbas da Assembleia Legislativa (ALMT) para beneficiar um negócio privado da sua família. A decisão para a instauração do inquérito partiu do desembargador Marcos Machado, da Primeira Câmara Criminal, foro competente devido à prerrogativa de função do deputado.
O centro da denúncia é o pagamento de diárias a uma assessora lotada no gabinete de Cattani, identificada como Nathalia Jovelina Rogério dos Santos. Segundo o inquérito, a servidora recebeu os recursos públicos sob a justificativa formal de realizar trabalhos institucionais. No entanto, ela foi flagrada em vídeos comercializando queijos produzidos pela fazenda da família do parlamentar, ao lado da esposa do deputado, Sandra Cattani, durante a edição do Show Safra 2026, feira agropecuária realizada no município de Lucas do Rio Verde.
Provas e andamento do inquérito
O processo tramita sob sigilo judicial, mas o Ministério Público já anexou aos autos diversos documentos e pelo menos três arquivos de vídeo que comprovariam o desvio de finalidade na liberação dos recursos. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra a Administração Pública, será a responsável por aprofundar as oitivas e confirmar se houve a prática de peculato (desvio de dinheiro público) e improbidade administrativa. O inquérito buscará esclarecer a verdadeira natureza da viagem da assessora e o destino final da verba liberada pelo Legislativo.
Gilberto Cattani se manifestou sobre o caso em suas defesas, alegando que a denúncia se trata de uma "narrativa da imprensa". O parlamentar sustentou que a sua assessora viajou a Lucas do Rio Verde em missão oficial para atuar no estande da Assembleia Legislativa no evento e que, posteriormente, cumpriu outras agendas da Casa de Leis no interior do estado. A justificativa oficial, no entanto, contrasta com as imagens levadas à Justiça, que a mostram trabalhando ativamente na venda dos laticínios da família.
Repercussão e atritos políticos
A abertura do inquérito criminal já provocou reflexos diretos no comportamento político do deputado estadual. Em um vídeo recente publicado em suas redes sociais neste final de semana, Cattani reclamou do que chamou de abandono por parte de aliados do campo conservador no estado.
O parlamentar cobrou reciprocidade de correligionários que ele sempre defendeu publicamente e declarou que, diante das investigações que vem sofrendo sem o devido apoio de seus pares, adotará a postura de "cada um por si". As investigações prosseguem sob o acompanhamento rigoroso do Tribunal de Justiça. Caso o uso indevido das diárias seja comprovado ao final do inquérito, além de responder a uma ação penal, Cattani poderá enfrentar processos de quebra de decoro no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa.
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